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Maria, a incorrigível

Maria, a incorrigível

Código: 525596

Coleção: Esconde-esconde

Júlio Emílio Braz
Rogério Soud


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R$ 16,90

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Foi em um pequeno espaço aberto, entre o azul do céu e o verde do gramado, que Maria resgatou de sua memória momentos tão inesquecíveis de sua época de menina. Hoje já crescida, encara outras atividades... Aliás, após conhecer a história dela, que agora acompanha entusiasmada o jogo da neta, você entenderá de quem Cristina herdou o gosto pelo futebol.
Toda vez que Maria ia jogar futebol? sua grande paixão? a confusão estava armada, pois sua tia influenciava sua mãe a não permitir que ela fosse para o campinho da Coragem - Maria era goleira das boas, melhor que o irmão, considerado perna de pau. O mesmo lugar que a fazia tão feliz, outras tantas vezes também era o cenário de cenas de humilhação e discórdia, pois sua mãe chegava dando bronca e sempre insistindo para que ela fosse brincar de boneca, dizendo que futebol não era coisa pra mulher. Mas na verdade o que a menina gostava mesmo era de ter a bola nos pés (no caso de Maria, nas mãos), defendê-la, detê-la em sua marcha feroz. Era orgulho do pai e do irmão, pois eles sabiam do talento dela e a incentivavam em todos os momentos, até mesmo quando tudo parecia perdido...
Um dia, num campeonato importante, as chuteiras da goleira sumiram. Não houve jeito de achá-las. Maria não queria acreditar que sua mãe fizera tal maldade. Frustração sem fim... Pois além de ter perdido suas chuteiras e a partida, seu pai não foi assistir ao jogo naquele dia, porque ele teve que dar um basta naquela implicância por parte de sua mãe e de sua tia. Fato é que a tia depois daquele dia nunca mais apareceu na casa dela. E a mãe passou a acompanhar, mesmo que escondidinha, todos os jogos da menina.
E, tantos anos depois, Maria, aquela que era vista como incorrigível por sua tia, sentiu a mesma emoção no jogo de sua neta, quando a goleira (também Maria) voou em uma bola impossível de se catar e espalmar, mas com a ponta dos dedos ela a mandou pela linha de fundo, livrando assim o gol que seria de Cristina. Parece incompreensível, mas nesse momento Maria se sentiu alegre e encontrou razões para comemorar, pois sabia que ali tinha uma Maria como um dia ela foi e que, mesmo sem drible ou firula, nos momentos de decisão não deixava de brilhar.

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