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SAL E LUZ, PRESENÇA QUE FAZ A DIFERENÇA

Data de publicação: 30/01/2017


Leitura Orante –  5º domingo do tempo comum, 05 de fevereiro de 2017

SAL E LUZ, PRESENÇA QUE FAZ A DIFERENÇA

“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14)


Texto Bíblico: Mateus 5,13-16


1 – O que diz o texto?
O Evangelho de hoje vem imediatamente após a proclamação das Bem-aventuranças. Isto quer dizer que aquelas e aqueles que fazem das Bem-aventuranças o programa da sua vida, são chamados a uma responsabilidade real e atual, ou seja, eles/elas não vão se tornar sal da terra e luz do mundo no futuro, mas devem ser presença diferenciada no aqui e agora, humanizando as relações e comprometendo-se com a vida mais justa e plena.

Jesus diz: “Vós sois”;  não diz “deveis ser”, ou “tenhais que vos converter em...”

“Sois”: expressão que se refere à existência toda do(a) seguidor(a) de Jesus, em qualquer circunstância e tempo. Quem segue a Jesus Cristo, torna-se plenamente convertido em sal da terra e luz do mundo.

“Sal da terra…, luz do mundo”: muitas vezes estas duas imagens foram entendidas em chave proselitista, de um modo sumamente atraente para o ego e gratificante para a mente.

Ao ego lhe atrai sempre considerar-se em posse da verdade, particularmente por dois motivos: porque isso lhe traz uma sensação de segurança e porque lhe permite manter uma imagem de si “acima” daqueles que, para ele, se encontram no erro.

Ao ego lhe encanta ser “especial”, brilhar, aparecer... Ao ego lhe encanta que o reconheçam como “sal” e como “luz”, já que ele não busca outra coisa a não ser sentir-se reconhecido a qualquer preço.

Se permanecermos no clima das bem-aventuranças, cairemos na conta que a pessoa que é chamada a ser sal e luz não sai publicando por aí; ela é sal e luz não por suas ideias, doutrinas ou normas morais que busca impor aos outros, mas por ela mesma, por aquilo que ela é em sua interioridade.

Concretamente, é “sal” aquela pessoa que nos ajuda a saborear a vida com mais profundidade, porque seu gosto por viver nos contagia e nos apoia para que possamos experimentar isso também.

É “luz” porque, com sua presença amorosa, dissipa nossas obscuridades e facilita que percebamos o sentido luminoso de nossa existência, de nossa verdadeira identidade.


2 – O que o texto diz para mim?
Ser “luz” e “sal”, portanto, é o mais radicalmente oposto a qualquer atitude de superioridade e de proselitismo. Nem a vaidade, nem o fanatismo trazem sabor e luz.

A vida de Jesus aparece como “sal” e como “luz” pelo que Ele era e vivia.

Sua mensagem era sumamente simples, centrada no compromisso com todos e numa presença compassiva; afinal de contas, “sal” e “luz” é outro nome da compaixão.

Jesus despertou um movimento humanizador, carregado de sabor e iluminação, para com todos que d’Ele se aproximavam.

Sua presença desvelava a luz e o sal presente em toda e qualquer pessoa.

«Vós sois o sal da terra…” “Vós sois a luz do mundo…”:   constitui uma das afirmações evangélicas mais claras de que a missão dos seguidores de Jesus no mundo faz parte de sua própria identidade.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
As imagens do sal e da luz servem também de apoio para justificar duas formas diferentes de presença e de ação no mundo.

A referência ao sal remete a uma ação invisível, pois concebe a presença dos cristãos no mundo sob a forma da encarnação, a presença silenciosa na realidade, a inserção na sociedade, deixando atuar, pelo testemunho de cada um, a força do evangelho que, como a semente, uma vez semeada, germina no campo, de dia e de noite, sem que o semeador perceba.

O específico da luz, por outro lado, é brilhar, ou seja, esta imagem realça uma forma de presença visível, através das ações comunicativas e, especialmente, do anúncio explícito, como meios para fazer chegar o evangelho ao mundo no qual o cristão é chamado a ser presença diferenciada.

De acordo com o texto, as formas de presença significadas pela luz e pelo sal são as duas, inseparáveis. São duas formas de presença no mundo; duas formas de exercício da missão, de um modo de proceder que se dá por “contágio ativo”, caracterizado pela hospitalidade, o amor mútuo, a caridade para com os pobres, a alegria contagiante...

O símbolo da luz é ainda mais rico do que o do sal: a luz ilumina, aquece, guia, agrega, tranquiliza, reconforta.

A Luz é força fecundante, princípio ativo, condição indispensável para que haja vida. Tem capacidade de purificar e regenerar.

Em oposição às trevas, a Luz exalta o belo, bom e verdadeiro.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, vivo imersa num oceano de luz; carrego dentro a força da luz. Ela sempre está aí, disponível; basta abrir-me a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformações que ela inspira.

Pelo fato de ser benfazeja e criadora, a luz me permite dizer com o poeta Thiago de Mello, no meio de impasses, ameaças e conflitos que pesam sobre minha vida: “Faz escuro, mas eu canto”.

O ser humano é luz quando expande seu verdadeiro ser, ou seja, quando transcende e vai mais além, desbloqueando as ricas possibilidades de humanidade.

A luz, por si mesma, é expansiva.

Um fotógrafo profissional fez a seguinte afirmação: “minha profissão é escrever com a luz; muitos escrevem com letras, eu com a luz”.

As fotografias dependem de como a pessoa administra a luz.

Uma preciosa motivação a buscar a luz dentro de mim mesma, a buscar esse “retrato interior” que é movido a se expor diante dos olhares dos outros.

Minha vida pode ser apaixonante se a contemplo e a construo como um diálogo de vida e de luz.

O salmista utilizará um registro parecido, contemplando o seu espaço interior como uma fonte de luz; uma fonte que deixa transparecer aquela Luz profunda que o leva por caminhos de paz e serenidade:

“Pois em Ti está a Fonte da vida e à tua Luz vemos a luz” (Salmo 36,10).


5 – O que a Palavra me leva a viver?

Ser lâmpada com a responsabilidade de iluminar o ambiente onde vivo e no meio da sociedade.

Ser “sal” e “luz”. Duas pequenas imagens ou afirmações para duas grandes atitudes.

Ter atitudes e comportamentos que projetam luz para potenciar a tímida luz presente no outro.

Deixar-me iluminar pela Luz de Deus, levar essa Luz nas minhas pobres e frágeis mãos, iluminando os recantos do meu cotidiano.

Utilizar o candeeiro para que a luz de Deus em minha vida se expanda e ilumine melhor, para que essa luz de Deus presente em minha vida chegue a lugares mais distantes.

Sou uma “sarça ardente” diante dos outros, consumindo-me constantemente, no humilde serviço; sou uma lamparina humilde, brilhando na janela da minha pobre casa, indicando aos outros o caminho da segurança e do aconchego.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 5,13-16
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne    

Sugestão:
Música: Divina fonte – fx: 09 (02:42)
Autor: Jorge Trevisol
Intérprete: Jorge Trevisol
CD: Amor, mística e angústia
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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