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QUE FAZEIS DE EXTRAORDINÁRIO?

Data de publicação: 13/02/2017


Leitura Orante –  7º domingo do tempo comum, 19 de fevereiro de 2017

QUE FAZEIS DE EXTRAORDINÁRIO? 

“E, se acolheis somente vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? (Mt 5,47)


Texto Bíblico: Mateus 5,38-48


1 – O que diz o texto?
No evangelho de hoje, Jesus pergunta aos seus seguidores o que fazem de extraordinário.

Isso nos leva a pensar que o cristão deve ser aquele que tem atitudes extraordinárias, comportamentos extraordinários, ações extraordinárias, etc... Portanto, esta é uma das características do cristão: ser extraordinário.

No entanto, quando pensamos em “extraordinário”, pensamos em enormes obras, coisas estrondosas, mirabolantes, etc...

O que é “extraordinário”? A palavra nos sugere pensar o seguinte: “extra” + “ordinário”.

“Ordinário” é o que está na ordem do dia, nas regras, nos comportamentos ditos normais de todos, na mesmice do dia a dia. Isto é o ordinário: acordar, trabalhar, estudar, casar, comprar, consumir, morrer,…

Milhões de pessoas passam a vida fazendo o ordinário. E simplesmente “passam”.

Aqueles que fazem coisas “além desse ordinário”, ou seja, “extra”, são pessoas “extraordinárias”.

Portanto, tudo aquilo que vai além da normalidade, do comportamento geral, isso é extraordinário.

Dessa forma, tiramos do conceito de “extraordinário” a necessidade de “coisas enormes”. Mas, coisas mais profundas, com mais sentido, com “sabor diferente”, com “características diferenciadas”.

O seguimento de Jesus é para aqueles que querem “algo mais”, que querem o “extraordinário”.

Com estas palavras, Jesus estabelece a diferença entre o modo pagão e o modo cristão de viver o cotidiano.

A “cotidianidade” de nossa vida está tecida de coisas “ordinárias”, contraposta ao que ocorre de maneira “extraordinária”.

A maioria das pessoas vive restrita ao ordinário com o anonimato que ele envolve.

No entanto, no seio do ordinário pode brotar uma mudança, uma transformação.

“Se, às vezes, há um fastio na rotina, não raro ela revela um mistério insondável” (Cláudio Van Balen).

Quando assumimos o nosso ordinário e o vivificamos com injeções de novidade e de criação, ele se torna o “lugar” das experiências.

E a “experiência é a sabedoria da vida”.

No ordinário se encontram as “pequenas práticas com sucesso”.

O ordinário pode significar um avanço na aceitação do “pequeno”, das coisas mais simples... tudo tem sentido, tudo é digno de ser cuidado.

Nesse sentido, o ordinário que conserva, também pode provocar o surgimento do novo.

O ordinário que aliena, também está grávido de utopia.

O ordinário que nos acomoda, também pode ser o lugar da audácia e da iniciativa.


2 – O que o texto diz para mim?
A espiritualidade é a contracorrente do ordinário.

Se, de um lado, o ordinário me arrasta para a repetição e a conservação, de outro lado, a espiritualidade me impulsiona para a busca e a descoberta.

Se permaneço simplesmente no ordinário, então me tornarei medíocre e me  contentarei com o “menos”.

A espiritualidade cristã é a espiritualidade do cotidiano, que conserva sua força transformadora, que é capaz de despertar o espanto e a admiração, apontando sempre para um horizonte mais amplo e mais rico; é a espiritualidade que reacende desejos e sonhos novos, que suscita energias em direção ao mais; é a espiritualidade que faz descobrir, escondida no ordinário, uma Presença absoluta que me envolve; é a espiritualidade que faz saborear o eterno e o Absoluto no ritmo doméstico e cotidiano da vida... é a espiritualidade que projeta a vida a cada instante; abre espaço à ação do Espírito para que Ele me expanda, me alargue e me impulsione para horizontes novos.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Tem muitas pessoas extraordinárias no mundo hoje, felizmente.

Ocorre que os grandes meios de comunicação, ordinários (em todos os sentidos da palavra), não divulgam o que elas vivem: não retribuem violência com violência, são capazes de entregar o manto e de não dar as costas a quem pede emprestado; amam os inimigos e rezam por aqueles que as perseguem.

Vivem de maneira extraordinária. Tais pessoas fazem a diferença.

Uma pessoa certa vez disse: “todos nós somos chamados a sermos santos; e santo não é aquele que faz coisas extraordinárias, mas santo é aquele que faz as coisas ordinárias de forma extraordinária”. 

Há aqui um sentido profundo: ser uma pessoa “normal”, mas que faz tudo de forma extraordinária. Fazer bem as coisas, com responsabilidade, com ética, com respeito, com justiça…

Na vida cotidiana, as pessoas correm o risco de serem apenas imitadoras ou repetidoras, pois temem se perderem na busca do novo; as respostas são confirmadas, mesmo que estas sejam velhas e desfocadas e as perguntas são silenciadas.

Fechado em si mesmo o ordinário torna-se pesado, desinteressado e frustrado.

As “ações cotidianas insensatas” podem ser “sensatas” (com sentido), se eu perceber Deus presente nelas.

Descobrir a presença divina escondida no ordinário é encontrar-me acolhida pelo abraço do Criador que me envolve.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, é a “mística” que me desperta da letargia do cotidiano. E desperta, descobrirei que o cotidiano guarda segredos, novidades, energias ocultas, forças criativas... que podem sempre conferir novo sentido e brilho à vida.

O Reino se revela no pequeno, no anônimo, no ordinário e não só no espetacular, no grandioso.

É o cotidiano que me prepara para as grandes decisões.

Falo de uma cotidianidade humana, isto é, daquelas atividades de minha vida diária que, embora irrelevantes em sua aparência, tem uma razão de ser, uma motivação e um modo de serem feitas que não se deve à mera casualidade ou a um impulso instintivo de repetição ou automatismo.

O cotidiano é o que vivo ou faço a cada dia: o conjunto de circunstâncias, atividades e relações que formam a trama da minha vida através da qual Deus se revela presente e atuante.

Com essa inspiração, o cotidiano torna-se o “lugar” das experiências.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Ser cristão é aquele ou aquela que na realidade diária é chamado ou chamada a viver em comunhão com Deus e a deixar-se conduzir pelo mesmo Espírito que animou Jesus e o levou a inserir-se na trama humana, assumindo o risco da história.

Ser cristão inserido no mundo, em meio às agitações cotidianas, é acima de tudo ter Jesus como referência de vida: suas palavras, suas ações, seu modo de relacionar-se com o Pai e com os irmãos...

Quando a vida cotidiana do cristão se torna monótona e se faz “normal”, é necessário sacudi-la com algum “detalhe não normal”, que ajuda para revigorá-la e dar-lhe fecundidade.

Neste sentido, os tempos de oração são os momentos privilegiados para que toda pessoa, consciente de sua responsabilidade social e empenhada na transformação de seu “entorno”, possa encontrar em sua vida cotidiana a fonte e sua fecundidade transformadora.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 5,38-48
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne    


Sugestão:
Música: Os dois caminhos – Fx: 10 (03:00)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: Verdades
Gravadora:  Paulinas Comep




 

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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