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UMA VOZ QUE NOS TRANSFIGURA

Data de publicação: 06/03/2017



Leitura Orante –  2º domingo da quaresma, 12 de março de 2017

UMA VOZ QUE NOS TRANSFIGURA

“Este é o meu Filho Amado, em quem me comprazo. Ouvi-o!” (Mt 17,5)


Texto Bíblico: Mateus 17, 1-9


1 – O que diz o texto?
Mateus, no seu relato da Transfiguração, quer transmitir algo da experiência original de poder conhecer a Jesus de uma “outra” maneira e usa expressões intensas: “alta montanha”, “seu rosto brilhou como sol”, “suas vestes ficaram brancas como a luz”, “Moisés e Elias, conversando com Jesus”, “uma nuvem luminosa os cobriu”, e uma “voz”, saindo da nuvem, revelou a verdadeira identidade d’Ele: “Este é meu Filho amado, escutai-o”. São expressões vigorosas que comunicam a emoção de haver descoberto o “outro rosto” de um amigo.

O Evangelho de hoje nos propõe precisamente isso: uma atenção desperta capaz de detectar o pulsar da vida e a presença do Senhor que a habita; uma teimosa convicção de que toda realidade esconde em suas entranhas o poder de resplandecer, de “revelar-se outra”; e uma escuta expectante que nos permite ouvir, em meio o alvoroço de tantas vozes, a Voz que se dirige a cada um de nós e nos sussurra as palavras que possuem o poder de transfigurar-nos: “Tu és meu(minha) filho(a) amado(a)”.

O “mistério de Deus” sempre nos supera. Parece que Ele se faz menos acessível pelos caminhos da razão.

É na vida pessoal ou coletiva onde Deus se revela presente e manifesta sua Voz. Esta foi a experiência do povo de Israel; esta foi a experiência do próprio Jesus e dos seus primeiros discípulos.


2 – O que o texto diz para mim?
Todos os grandes personagens bíblicos fizeram uma experiência de montanha (lugar de intimidade com Deus; lugar onde a Voz divina ressoou com mais intensidade; lugar da bênção e do envio...).

Foi no alto da montanha que Deus se revelou no meio das nuvens e somente aqueles que se fizeram “simples e despojados”  puderam encontrá-Lo e escutar sua Voz. Sentiram-se transfigurados.

A partir do impacto interior da Voz de Deus, tais personagens educaram suas vozes para que elas fossem portadoras de vida, vozes que fizeram emergir a nobreza original das pessoas.

A Montanha é o lugar do encontro íntimo com o Senhor e encontro com o melhor de mim mesma (minha identidade); o silêncio da Montanha me desvela e me revela quem “sou eu”.

A experiência de Montanha significa experiência de “transfiguração”, ou seja, me revela meu ser essencial, me faz ir além de minha aparência para captar minha riqueza interior, meu “eu original”.

Além disso, os “momentos” de Montanha me faz perceber qual é a direção de minha vida, me aponta qual é o caminho a seguir, qual é a opção a viver...

Caminhando por trilhas desconhecidas, poderei atingir experiências imprevistas e surpreendentes, ou reconhecer “vozes novas” que me incitam a peregrinar para as regiões ainda desconhecidas do meu próprio interior.

Só assim poderei vislumbrar o outro lado e tocar as raízes que dão sentido e consistência a meu viver.

Neste tempo Quaresmal, “subir a Montanha” requer um ritmo pessoal, fazer o próprio caminho, vencer os obstáculos, vivenciar o silêncio, apurar a escuta interior para captar as “vozes” do coração.

É no silêncio que a Voz de Deus ressoa com mais intensidade.

Voz que desperta as “cordas” do coração para eu poder entrar em “sintonia” com o próprio Criador.

Voz que integra e pacifica meu ser dividido, estabelecendo uma harmonia em meio aos sons dissonantes do meu interior.

Dizem que há pessoas capazes de serem curadas por uma voz, pela sonoridade de uma voz determinada. São vozes que “tocam” e despertam forças desconhecidas. Certas vozes me devolvem ao meu “eu original”, ativam recursos ainda latentes.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A experiência da Transfiguração é isso: Deus entra no meu espaço vital, no meio daqueles movimentos difíceis e repetitivos e me faz deslocar para o alto da montanha.

Exatamente ali, naquela visão tão ampla, acontece algo novo. Aqui não estou no templo, nem num dia sagrado.

No grande silêncio da natureza, ouvirei o sussurro de Sua voz, e me darei conta d’Aquele que está passando, pois desde sempre já me viu, me conheceu, me amou e me escolheu.

Aquela Voz amplia meus olhos, abre minha mente e alarga o meu coração.

Sentindo-me chamada pelo nome e compreendendo melhor a mim mesma; sentindo-me envolvida por uma Presença que me faz única e redescobrindo um sentido novo, um significado inimaginável para minha própria existência.

Voz mobilizadora, que me arranca de minhas tentativas de acomodação (“façamos aqui três tendas...”) e me faz descer em direção ao vale do compromisso e do serviço.

O olhar e a voz de Deus me atraem para a verdade da minha própria vida: mergulhada na Luz, descobrirei a luz e compreenderei para onde devo ir.

Finalmente, não me sentirei mais sozinha.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, eu sou um ser de palavras e sou também um ser de silêncio.

Neste mundo de “palavreado crônico” tenho esvaziado o dom da palavra e as vozes se fazem estridentes e agressivas...

Por isso, preciso educar minha voz no calor do silêncio, porque só o silêncio restaura a força mobilizadora de toda voz.

Só assim minha voz poderá curar, elevar, comunicar vida...

Voz que realça a dignidade a cada pessoa, remetendo-a a si mesma, ajudando-a a conectar-se com o que há de melhor em seu interior.

Quanto preciso ouvir uma Voz que toque minha superfície endurecida e atinja minhas fibras mais profundas!

Quanto desejo uma voz que me liberte de tantas ataduras que não me deixam respirar com profundidade, nem olhar compassivamente, nem considerar a beleza da diversidade e da diferença!

Quanto aspira meu coração escutar uma Voz que desate em mim forças libertadoras!


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Quaresma é tempo para afinar meus ouvidos e deixar-me impactar pela Voz, única e original, que vem de Deus.

Voz que “toca” e desperta forças desconhecidas do meu interior.

Voz que ativa minha identidade.

Voz que me faz voltar ao meu ser essencial.

Voz que reconstrói minha dignidade e me ajuda a conectar com o meu ser mais profundo.

Livre do domínio de minhas compulsões, livre para amar sem defesas, livre para ser eu mesma e poder entrar numa relação nova com a realidade, com os outros e com Aquele que continuamente sussurra sua Voz como uma brisa reconfortante.

Presença e voz  que me arrancam do meu ambiente,  da minha rotina... e me lançam em direção a novos desafios.

Tudo pode começar no alto da Montanha... um encontro.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 17, 1-9
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne    


Sugestão:
Música: És um Deus imenso – fx 07 (01:59)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérpretes: Pe. Zezinho, scj e Sônia Mara
CD: Deus é muito mais
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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