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BENDITA PORTA DE SAÍDA PARA A VIDA

Data de publicação: 02/05/2017


Leitura Orante –  4º domingo da Páscoa, 07 de maio de 2017

BENDITA PORTA DE SAÍDA PARA A VIDA

“Amém, amém, eu vos digo: sou eu a porta das ovelhas” (João 10,7)

Texto Bíblico: João 10,1-10


1 – O que diz o texto?
A imagem pascal deste 4º Domingo é a Porta da Liberdade, que possibilita uma vida sempre expansiva.

A Vida verdadeira implica saída de nossos espaços, muitas vezes atrofiados e de curto horizonte: por isso precisamos de uma porta, de uma saída. Não podemos, não devemos permanecer fechados, pois isso atrofia nossas possibilidades de vida, sobretudo se estamos reclusos no egocentrismo.

Nesse sentido, podemos entender a imagem da “Porta” enquanto espaço aberto que permite a vida fluir. Porque vida é, antes de mais nada, espaçosa, amplitude ilimitada que tudo abarca e que se expressa em infinidade de formas, todas elas habitadas pela mesma e única Vida.

Precisamos nos libertar, nos desatar, sair; precisamos de uma porta!

Escutemos Jesus que diz “Eu sou a Porta”. E é verdade, porque Jesus, “ressuscitado dentre os mortos”, abriu um espaço no hermético ventre da morte. Com seu próprio corpo e sua vida Jesus se transformou em Porta da Vida verdadeira e com a força do seu Espírito Ele nos liberta, nos desata para sair dos espaços atrofiados e passar para a vida ampla do amor, para a vida com os outros.

“Eu sou a porta”: aqui Jesus não se refere àquela peça de madeira que gira para fechar ou abrir, mas ao espaço por onde se tem acesso a um recinto. Por isso Ele diz que é a porta das ovelhas, não do redil. Todos aqueles que vieram antes dele não deram liberdade e asfixiaram a verdadeira vida.

Em Jesus, todo(a) seguidor(a) pode alcançar a verdadeira liberdade; “poderá entrar e sair”, terá liberdade de movimento. Jesus não busca seu próprio proveito nem o de Deus. Seu único interesse está em que cada ovelha alcance sua própria plenitude e viva intensamente.

A característica do Bom Pastor é que põe toda sua vida a serviço das ovelhas para que vivam, sem limitação alguma. Ao fazer isto, põe em evidência a qualidade de Vida que possui e abre a possibilidade para que todos os que lhe seguem tenham acesso a essa mesma Vida.

Uma porta aberta. Jesus se compara a uma porta... aberta! Somos impactados pela luz que vem de fora e pelo ar vivificante. Nós ouvimos sua voz. Ele se dirige a cada um e à sua voz nos colocamos em marcha.

O oxigênio que aí respiramos é o Sopro do próprio Deus.

Jesus é uma Porta grande e aberta que favorece a circulação com toda a liberdade.

Entrar por essa Porta é o mesmo que “aproximar-nos d’Ele”, “escutar sua voz”, “identificar-nos com Ele”.

Passar pela Porta implica também desvelar nossa verdadeira identidade enquanto “portas abertas”.

Cada um de nós é um mundo, dentro do Mundo. Este contato se estabelece pelos sentidos: saímos ao Mundo e entramos em nosso mundo através dessas cinco portas.
 

2 – O que o texto diz para mim?
Por essas portas dos sentidos saio de mim mesma para o Mundo, ao mesmo tempo que o Mundo entra em mim. Tomar consciência de como transito por estas portas é essencial para crescer em um modo transparente de existir. Porque há um modo de entrar e sair por elas que pode ser feita de maneira autocentrada e depredadora ou de maneira agradecida e geradora de comunhão.

Há um modo de ver, ouvir, saborear, tocar, sentir... que me atrofia e me isola em meu pequeno mundo opaco e estreito, enquanto há outro modo que me abre e me expande em direção ao Mundo, e que vai se revelando como presença e transparência de Deus.

Expandir os cinco sentidos me capacita sentir Deus como Presença primeira e constitutiva da Realidade, pulsando em todas as coisas. Porque, em definitiva, o que meus olhos querem ver, o que meus ouvidos querem ouvir, o que meu tato quer apalpar... é o #Rosto#mais#além#dos#rostos que se manifesta através dos outros. Assim, os sentidos não são somente portas entre meu mundo interno e o Mundo exterior, mas umbrais que abrem ao Transcendente, que pulsa no mundo e ao qual só se pode chegar através do mesmo mundo.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O contexto social no qual vivo me revela que há uma doença que me afeta e praticamente a todos: em nossas vidas, há muito mais espelhos que nos isolam do que portas que nos universalizam.

No espelho eu me vejo; e o que vejo não é o que sou, mas o que aparento ser. Desta percepção não saio. A contemplação narcisista de meu rosto atrofia o horizonte de minha vida; o horizonte perceptivo é mínimo. O espelho é incapaz de revelar a verdade de meu ser e de ampliar meu mundo afetivo e relacional, não facilita a acolhida, o encontro... O centro do espelho sou eu mesma.

As portas abertas, por sua vez, permitem ampliar meu horizonte. Através delas purifica-se o ar denso e irrespirável do meu interior, que gero quando eu me fecho em mim mesma.

As portas  abrem à comunhão com a natureza, com os outros, com a realidade que me cerca.

As portas me humaniza, pois servem para me revelar aos outros quem sou, que eles fazem parte de minha casa e que, abertas, indicam que eles podem entrar e sair livremente em minha vida.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, equivocadamente distraída por alguma complacência ou comodidade interna, nem sempre caio na conta de que vivo fechada; não percebo o perigo letal da asfixia existencial; não sinto as amarras da dependência ou os vícios que a vontade fragilizada já não consegue romper.

Como seguidora de Jesus, habitando em casas construídas sobre a rocha do Evangelho, eu deveria me preocupar mais com as portas e janelas e menos com os espelhos.

Outros rostos precisam descobrir: concretamente, rostos feridos, excluídos, carentes de proximidade e abraço.

Muitas vezes, as portas me protegem da diversidade, blindam minha individualidade e parecem itens indispensáveis à sobrevivência. Assim, serei prisioneira de minha estreita visão de mundo e farei de minha casa uma couraça que enclausura. 

Melhor a viagem que me faz vulnerável do que a segurança que me rouba o horizonte.

Melhor enfrentar o impacto do diferente e usufruir da liberdade do que inventar portas seguras que me fazem cativa e solitária.


 5 – O que a Palavra me leva a viver?
Todos os anos, o 4º Domingo de Páscoa inspira-se na imagem do “Bom Pastor”. Embora o Evangelho deste domingo não fale de “aparições” do Ressuscitado, não me afastar do tema pascal, pois Jesus afirma expressamente: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

A “Vida” é o verdadeiro tema pascal.

Nada de “cachorros” que atemorizem o visitante: com orgulho, egoísmo, inveja, ironia, rudeza, preconceito. 

Nada de longas esperas que desanimam: estar sempre atenta, nem que seja para um cumprimento, um sorriso, um aperto de mãos, caso eu não tenha tempo para uma conversa.

Uns instantes de intensa atenção bastam para acolher o outro.

Nada de móveis que impeçam a circulação; manter minha casa disponível. Não impor meus gostos,  ideias,  pontos de vista.

Nada de retribuições que custam caro: se eu ofereço alguma coisa, fazer gratuitamente e nada esperar em troca.

Ser uma porta sempre aberta:  “entrada franca”.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  João 10,1-10
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne    


Sugestão:
Música: O Senhor é o meu Pastor – fx 01 (03:25)
Autor: Maria Luiza Ricciardi
Intérpretes: Ringo, Astúlio Nunes, Reynaldo, Márcia, Gracinha, Armando Valsani, Vilma e Ângela Márcia
CD: Salmos – Oração do povo a caminho
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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