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ESPÍRITO SANTO -

Data de publicação: 15/05/2017



Leitura Orante –  6º domingo da Páscoa, 21 de maio de 2017

ESPÍRITO SANTO: “desbloqueador” de interioridades

“Vós o conheceis, porque permanece convosco e estará em vós” (Jo 14,17)


Texto Bíblico: João 14,15-21



1 – O que diz o texto?
O evangelho de João nos oferece diversas imagens de Páscoa: vida, pastor e porta, morada de Deus…

O evangelho deste domingo nos apresenta a Páscoa como promessa e esperança do Espírito Santo, o “Paráclito” (defensor, consolador) dos(as) seguidores(as) de Jesus.

Jesus mesmo tinha sido o Paráclito de seus discípulos, mas agora envia seu Espírito para que seja presença interior e companhia.

A Páscoa apresenta-se, assim, como experiência de Presença, Deus em nós. Esta é a grande promessa que sustenta o caminho do seguimento na história, tantas vezes obscuro e angustiante para o ser humano. Presença que desvela nossa identidade e nossa verdade mais profunda: filhos(as) amados(as) do Pai.


2 – O que o texto diz para mim?
O Evangelho de João é uma verdadeira catequese do Espírito, que se revela como “Espírito da verdade”, pois atua justamente na intimidade das pessoas, desvelando sua originalidade interior e comunicando-lhes luz e força para expandir suas vidas na direção do serviço aos outros.

Este “Espírito da verdade” não deve ser confundido com uma doutrina. Esta “verdade” não deve ser buscada nos livros dos teólogos nem nos documentos da hierarquia. É algo muito mais profundo.

Jesus diz que “ele vive conosco e está dentro de nós”. É alento, força, luz, amor... que me chega do mistério último de Deus. Devo acolhê-la com um coração simples e confiante.

Este “Espírito da verdade” está em meu interior, defendendo-me de tudo o que me pode afastar de Jesus.

Convida-me abrir com simplicidade ao mistério de um Deus, Amigo da vida.

Quem busca a este Deus com honradez e verdade não está longe dele.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A sociedade pós-moderna apostou pelo “exterior” e se distanciou da dimensão essencial da vida humana: a interioridade.

Tudo me convida a viver a partir de fora; tudo me pressiona a mover-me com pressa, sem me deter em nada nem em ninguém; a paz já não encontra espaços para morar em meu coração; vivo quase sempre na superfície da vida; estou esquecendo o que significa saborear a vida a partir de dentro. Vivo a globalização da dispersão e da superficialidade.

E o ser humano “disperso e superficial” é um ser “desordenado”, ou seja, vive seduzido por estímulos ambientais, envolvido por apelos vindos de fora, cativado pela mídia, pelas inovações rápidas, magnetizado por ofertas alucinantes...  E então, ele se esvazia, se dilui, perde a interioridade e... se desumaniza.

A exterioridade absorve a interioridade humana. A pessoa foge de si mesma, tem medo de encontrar-se. Por isso, acompanha o ritmo dos outros, repete a linguagem dos outros, adota os critérios dos outros..., e acaba sendo influenciada e dominada por pressões e hábitos externos.

A oração é o caminho interior que me faz chegar até o meu próprio “eu original”, aquele lugar santo, intocável...; este é o nível da graça, da gratuidade, da abundância, onde mergulho no silêncio, à escuta de todo o meu ser.

Se a minha oração for um autêntico “deixar-me conduzir pelo Espírito”, ela deverá fazer emergir à minha consciência as profundidades desconhecidas do meu ser.

O Espírito liberará em mim as melhores possibilidades, recursos desconhecidos, capacidades, intuições... e me fará descobrir em mim mesma, minha verdade mais verdadeira de pessoa amada, única, sagrada, responsável...

Das raízes profundas brotarão as respostas mais criativas e duradouras que terão impacto na realidade onde me encontro, desencadeando um movimento de profunda mudança.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, para “desbloquear” meu interior, fechado e petrificado, Jesus Cristo promete o envio do Espírito Santo, presença que examina e purifica as trilhas do coração humano, pois meu interior é lugar da intimidade com Deus, espaço de contemplação, ambiente de discernimento e construção de decisões.

Nesse sentido, ser seguidora de Jesus significa ser uma aprendiz do Espírito, deixando-me conduzir por Ele em direção à fronteira da interioridade, do meu próprio “eu profundo”.

Presença que desvela regiões não contaminadas em meu coração, onde tudo começa a ser percebido como novo, de onde brotam esperanças adormecidas e desejos ocultos.

É próprio do ser humano mergulhar e experimentar sua interioridade - profundidade.

Auscultando a si mesmo, percebe que brotam de seu “eu profundo” apelos de compaixão, de amorização e de identificação com os outros e com o grande Outro (Deus). Dá-se conta de uma Presença que sempre o acompanha, de um Centro ao redor do qual se organiza a vida interior e a partir do qual se elaboram os grandes sonhos e as significações últimas da vida.


5 – O que a Palavra me leva a viver?

A partir da interioridade, tudo se transfigura, tudo tem sentido, tudo vem carregado de veneração e sacralidade.

Viver a interioridade é desenvolver a minha capacidade de contemplação, de compaixão, de assombro, escuta das mensagens e dos valores presentes no mundo à minha volta.

Essa interioridade é um modo de ser, uma atitude de base a ser vivida em cada momento e em todas as circunstâncias.

Mesmo nas atividades cotidianas mais simples, a pessoa que criou espaço para a profundidade e para a interioridade mostra-se centrada, serena e cumulada de paz, caminhando junto com os outros na mesma direção que aponta para a Fonte de vida e de eternidade.

Sabe-se e sente-se habitada por um Maior que é uma Fonte irradiante de ternura e de amor.

Irradia vitalidade e entusiasmo, porque carrega Deus dentro de si, carrega o Sentido do universo, de cada coisa.

Acolhe e interioriza experiencialmente esse Mistério sem nome e permite que Ele ilumine sua vida.

Dialoga e entra em comunhão com Ele, pois o detecta e o sente em cada detalhe da realidade.

Toda experiência espiritual significa um encontro com um rosto novo e desafiador de Deus, que emerge dos grandes desafios da realidade histórica.

Esta “vida interior” é, ao mesmo tempo, a terra onde a pessoa planta suas raízes e a fonte onde ela pode apagar sua sede.

Buscar, na oração, cavar mais profundamente, até atingir as raízes de meu ser, o núcleo original de minha personalidade, a verdade de minha vida.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  João 14,15-21
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne   


Sugestão:
Música: Sopro Santo – fx 11 (03:01)
Autor: Padre Zezinho, scj
Arranjo: Luan Carvalho
Violão e Guitarra: Caio Carvalho
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: Entre um riso e uma prece
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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