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ASCENSÃO - subir à Galiléia, descer em direção ao vasto mundo

Data de publicação: 22/05/2017


Leitura Orante –  Ascensão, 28 de maio de 2017

ASCENSÃO: subir à Galiléia, descer em direção ao vasto mundo

“Os onze discípulos foram para a Galiléia,
ao monte que Jesus lhes tinha indicado” (Mt 28,16)

Texto Bíblico: Mateus 28,16-20

1 – O que diz o texto?
Os três dias para a Ressurreição, os quarenta dias para a Ascensão, os cinquenta dias para a vinda do Espírito Santo, não são tempos cronológicos, mas teológicos. Eles nos revelam a maneira de ser de Deus, não o tempo em que Ele atua.

A Ascensão nos faz refletir sobre um aspecto do mistério pascal. Trata-se de descobrir que a posse da Vida por parte de Jesus é total. Participa da mesma Vida de Deus e, portanto, está no mais alto do “céu”.

Hoje culmina o tempo de páscoa com a celebração da festa da Ascensão de Jesus. “Ressurreição”, “Ascensão”, “sentar-se à direita de Deus”, “envio do Espírito Santo”, são todas realidades pascais; constituem um só “mistério” que está fora do alcance dos sentidos e do nosso conhecimento.

O mistério pascal é tão rico que não podemos abarcá-lo com uma única imagem; por isso temos que desdobrá-lo para ir aprofundando calmamente e expressá-lo no nosso modo de viver o seguimento de Jesus.

Segundo o relato de Mateus, indicado para a festa deste ano, não há ascensão propriamente dita, mas revelação e presença do Senhor Jesus na Montanha da Galiléia, com sua palavra, sua presença e seu envio missionário.

Esta eleição da Galiléia é muito provocativa. Galiléia remete à vida histórica de Jesus. No centro da Galiléia se eleva a montanha da nova e definitiva revelação de Deus em Jesus Cristo; essa montanha é coração e centro permanente da terra.

O evangelista Mateus quer ressaltar que a Judéia (Jerusalém) havia rejeitado Jesus e já não era o lugar onde alguém devia encontrar-se com o Ressuscitado.

Jesus não ressuscita nem triunfa em Jerusalém, mas na “montanha da Galiléia”, ou seja, naqueles que foram os lugares e paisagens de sua vida. Jesus foi a Jerusalém para dar testemunho e manter seu projeto, sendo ali assassinado. Por isso, o evangelho não pode começar em Jerusalém, com seu templo, sacerdotes, soldados, mas na Galiléia, o lugar das pessoas que sofrem e que são excluídas, que buscam e escutam a Palavra.

Galiléia significa a terra da história de Jesus: ali sua palavra é escutada, ali sua mensagem é vivida.

Mas, ao mesmo tempo, Galiléia aparece nesta passagem como ponto de partida de um caminho que deve dirigir-se ao conjunto dos povos. Assim, desde a obscura província de Jesus, se expandirá um caminho salvador universal que está fundado na experiência de sua Páscoa.

Na Ascensão, Jesus nem partiu nem se ausentou; não nos deixou órfãos nem solitários. Ele permanece para sempre entre nós pelo seu Espírito Santo: no céu, na terra e em todo lugar. E principalmente conosco e em cada um de nós; não só está ao nosso lado, mas também dentro de nós, “fazendo morada em nós”.


2 – O que o texto diz para mim?
"Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima dos céus para plenificar o universo com sua presença". (Ef 4, 10)

A citação de São Paulo apóstolo, vem desfazer uma certa tendência a considerar  Jesus na Ascensão como alguém que partiu, que me deixou, que está mais acima, “no céu”, enquanto que eu fico aqui “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”. Não é assim. Não posso continuar pensando em um Jesus subindo fisicamente para além das nuvens.

Para poder entender a festa da Ascensão, devo voltar ao tema central da Páscoa. Estou celebrando a Vida, essa Vida que não está sujeita ao tempo e ao espaço, que é plenitude, eterna e imutável.

Jesus não vai a nenhum lugar, senão que permanece com os seus (“estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”). Isso significa que Ele ressuscita e atua em seus amigos e amigas, naqueles que vivem e espalham, com suas vidas, a Grande Mensagem de vida.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Recordo as experiências das Aparições do Ressuscitado, onde Jesus foi me ensinando como me encontrar com Ele e a estar com Ele: na “Palavra”, na “fração do pão”, na “Eucaristia”, compartilhando minha vida, como pão de vida para os outros, no “perdão salvador”, no “serviço”, nos “sacramentos”, no “próximo”, na “missão evangelizadora e apostólica”, na “construção do Reino”, no mundo e na realidade social na qual vivo, praticando a fraternidade e justiça social, segundo “os sinais dos tempos”, etc.

Na Ascensão, não se trata tanto de “vir e regressar”. Os espaços não existem para Deus. Trata-se de diferentes modos de presença. Mais que “subida” e afastamento, a Ascensão de Jesus é “descida e presença”. Sua presença expansiva alcança uma profundidade e uma longitude que sua presença física não pudera alcançar. Assim posso encontrá-Lo em todos os lugares e em todas as pessoas.

Jesus desce com os seus da montanha do evangelho para estender entre todos os povos sua presença. Está com os seus, neles, com eles... Esta é sua Ascensão, sua grande “descida”.

Ele não permanece na Montanha para construir ali uma pirâmide ou templo, uma grande corte pascal, mas para reunir os seus e enviá-los, e descer, estar com eles em todo o mundo.

Estes “onze” da Ascensão são (somos) todos, homens e mulheres na Montanha do Evangelho, para começar de novo, desde a periferia do mundo, como humanidade nova, como grupo, unidos no amor, todos e todas formando a grande comunidade da nova montanha da vida.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, na Ascensão, enquanto Jesus “sobe” ao Pai, eu “desço” à realidade para transformá-la, tornando presente o Reino.

Quando amo, cuido, sirvo... Também me elevo. E o que me eleva está em meu  interior: eu me elevo à medida que desço em direção à humanidade.

Como Jesus, a única maneira de alcançar a meta é descendo até o mais fundo.

Aquele que mais “desceu”, é também Aquele que mais alto “subiu”.

Muitas vezes prefiro seguir um Jesus no “céu”, distante, glorificado, a quem rendo honras.

Descobri-Lo dentro de mim mesma, nos outros e no mundo é demasiado exigente e comprometedor.

Muito mais cômodo é continuar “olhando para o céu...” e não me sentir implicada naquilo que está acontecendo ao meu redor.

De fato, Ascensão significa o início da missão da nova comunidade ressuscitada.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
“Homens da Galiléia, porque ficais aqui parados, olhando para o céu” (Atos 1,11)

Assim como o apóstolo Paulo:

Olhar a terra e todas as pessoas, ver suas lágrimas e angústias.

Assumir tudo como algo próprio dos discípulos e discípulas de Jesus.

Ocupar em transformar toda a realidade com os valores do Reino.

Inspirar homens e mulheres a ser presença do amor e da justiça junto àqueles que mais sofrem.

Despertar a vida atrofiada e escondida naqueles que perderam o sentido de sua existência.

Prolongar em suas vidas aquela presença original de Jesus... 

A tarefa fundamental que Jesus me confia é clara: “fazer discípulos” seus todos os povos.

Não se trata de ensinar doutrinas, nem ritos, nem normas morais, mas de ativar em todos uma maneira alternativa de viver, centrada no modo de proceder do próprio Jesus, ou seja, trabalhar para que no mundo haja homens e mulheres que vivam como discípulos e discípulas d’Ele, seguidores e seguidoras que aprendam a viver como Ele; que o acolham como Mestre e não deixem nunca de aprender a ser livres, justos, solidários, construtores de um mundo mais humano.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 28,16-20
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne   


Sugestão:

Música: Fazei discípulos – Fx 07 (05:22)
Autor: Dom Pedro Brito Guimarães e Frei José Moacy Cadenassi
Intérpretes: Paulinho Campos - Marcelo Mattos – Ringo - Vera Veríssimo - Rita Kfouri
CD: Alegria de ser Missionário
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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