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SANTA RUAH - o sopro que nos une

Data de publicação: 29/05/2017


Leitura Orante –  Pentecostes, 04 de junho de 2017

“SANTA RUAH”: o sopro que nos une

“Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22)

Texto Bíblico: João 20,19-23

1 – O que diz o texto?
O fogo, o vento, a água viva, são os símbolos mais potentes com os quais a Bíblia tenta dizer algo dessa Presença Possibilitadora de tudo o que vive, de sua força criadora e criativa, de sua imprevisibilidade, de sua capacidade para gerar sabedoria, saúde e beleza. São símbolos do movimento constante e do fluir silencioso dos processos que gestam a vida.

No relato da Criação, “a Ruah de Deus (em hebraico, Ruah é feminino) pairava sobre as águas”: trata-se de uma bela imagem da matriz ou útero originário fecundo de tudo quanto existe; tudo é amorosamente acolhido, fecundado, gestado, carregado neste grande ventre cósmico que podemos chamar divino: “Deus”.

Alento, sopro, vento, respiração, força, fogo... com nome feminino que fala de maternidade e de ternura, de vitalidade e carícia.

Seu calor gera harmonia no caos, realça a beleza e originalidade de cada criatura, dando a cada uma seu lugar, o espaço que necessita para potencializar seu ser. Nessa relação adequada, cada  erva, cada montanha, cada ser que vive, tem seu lugar e seu sentido.

Hildegar von Bingen dizia que o Espírito é “vida da vida de toda criatura”.

Cada dia é o primeiro dia da Criação; cada instante é o princípio.

A Criação está acontecendo e renovando-se a cada instante e uma Energia profunda e criativa nos acompanha, nos anima e nos move.

Estamos sendo criados; não estamos prontos e abandonados, não estamos condenados a um plano predeterminado e frio.

Em tempos de Pentecostes é bom recordar e dizer a nós mesmos: “Somos criaturas, estamos sendo amorosamente criados(as) e impulsionados(as) a criar. Há esperança”.

Contemplar deste modo a realidade, nos move a confiar, esperar, respirar.

Contemplemo-la assim: a realidade inteira alentada e fecundada sem cessar pelo Espírito materno; a realidade inteira carregada de infinitas e novas possibilidades, carregada de Infinito. Podemos esperar.

A imagem do “soprar sobre eles”, no evangelho de hoje, contém uma riqueza elegante: significa compartilhar o que é mais “vital” de uma pessoa, sua própria respiração, seu mesmo espírito, todo seu dinamismo.

É uma imagem que nos faz reconhecer o Espírito como o Alento último, o Dinamismo vital que pulsa em todas as formas de vida que podemos ver e que nelas se manifesta.

Não há nada onde não possamos percebê-lo, nada que não nos fale d’Ele.

O Espírito e nós não somos dois.

Somos “seres espirituais vivendo uma aventura humana” (Teilhard de Chardin).

Quando tomamos consciência desta realidade profunda, realizam-se em nós as palavras de Jesus: a unidade de tudo morando em nós, no Amor – outro nome do Espírito, como única realidade que tudo sustenta e constitui.

Mais ainda, o Espírito habita nosso ser profundo, sustenta nossas energias sadias, aumenta nossas forças, compromete-nos a crescer de forma autônoma. Ele age como um “princípio dinâmico” e como um “energético ativo”, que reforça as atividades criativas do eu. Temos de viver a partir do Espírito, transformando e vitalizando nossos gestos, pensamentos, compromissos, encontros.

Por isso, Pentecostes não acontece até que, reconhecendo o Espírito como nossa Identidade mais profunda, nos deixemos guiar por Ele, ou melhor, viver a partir d’Ele, conscientemente conectados com a Fonte Primeira. Falar do Espírito e celebrar Pentecostes é, portanto, celebrar a festa, a vida e a Identidade última de tudo o que é e existe: é nossa festa.


2 – O que o texto diz para mim?
“O Espírito pairava sobre as águas” (Gen. 1,1).

“Pairava” pode ser traduzido também por “vibrava”. Tudo vibra no universo: vibram as partículas e vibram os átomos, vibram as estrelas e vibram as galáxias, vibram os seres humanos, vibram o canto e a dança.

Cada som é vibração e também o silêncio é vibração. O coração de cada ser, pequeno ou grande, pedra, planta ou animal está vibrando. A vida é vibração.

O Espírito que “pairava” sobre as águas é a imagem da vibração divina que habita e se move no coração de tudo quanto existe. O Espírito é a respiração universal.

Tudo é energia, movimento, relação, e daí brotam maravilhosamente todas as formas de todos os seres, como de uma misteriosa matriz materna.

E o Espírito sempre está ali silenciosamente presente, como Aquele que vincula e une, como Tecedora constante de redes que fazem crescer, como Reparadora de todos os tecidos que um dia se rasgaram e se separaram do pano único de onde confluem todos os fios da vida.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Hoje sou consciente e posso agradecer essa presença do Espírito nos perfumes que a humanidade exala: no seu empenho pela paz e pela justiça, na contribuição à integridade da criação, na sua cumplicidade com os ciclos que favorecem a vida, no potencial de ternura, de cuidado e de resistência frente a todas aquelas situações e forças que desintegram a vida, na ação colaborativa, na interdependência, no diálogo e na abertura às diferentes culturas e às diversas tradições espirituais, maneiras novas e necessárias de situar-me no mundo. Tudo isso é sinal do movimento do Espírito.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?

Senhor, desde o momento em que nasci e entrei nesse mundo, fui fazendo parte e formando uma rede de relações. Este tecido relacional vai me expandindo ao longo do crescimento.

“Ao final de minha vida abrirei meu coração cheio de nomes” (Pedro Casaldáliga).

O Espírito é o que escreve os nomes que vão conformando minha vida, nos quais fiz experiência do que significa isso que chamo amor e que está gravado em minha origem e em meu destino, como minha fome maior e como meu dom mais apreciado.

Convidada a ser seguidora de Jesus, sou convidada também ao compartilhar com Ele o mesmo Sopro, torna-se uma “comunidade conspiratória”, ou seja, “conspirar”, “com inspirar”, “respirar juntos”; ao soprar o Espírito Jesus e os discípulos respiram o mesmo ar, o mesmo sonho, a mesma utopia do Reino...

Não é estranho que, com o Espírito, Jesus se refira à missão: é o mesmo Espírito – seu sopro – Aquele que O conduziu e quer conduzir a mim também.


5 – O que a Palavra me leva a viver?

“O Espírito urge!” Para abrir-me a este “Sopro”, de modo que possa experimentá-Lo no meu “eu” mais profundo, preciso calar a mente, abrir-me diretamente ao que é, e perceber, com prazer, que posso descansar sempre nisso.

“Descanso” é outro nome do Espírito.

No silêncio da mente o Espírito se revela a mim, não como uma presença separada, mas como presença interna de tudo o que é: Cuidado, Descanso, Dinamismo... Vida em plenitude. E isso é o que sou.



Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  João 20,19-23
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne   


Sugestão:
Música: É o Espírito Santo de Deus – Fx 05 (2:21)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: Alpendres, Varandas & Lareiras – vol. 2
Gravadora: Paulinas Comep



Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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