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A COMPAIXÃO COMO FONTE DO CHAMADO

Data de publicação: 13/06/2017


Leitura Orante –  11º domingo do tempo comum, 18 de junho de 2017

A COMPAIXÃO COMO FONTE DO CHAMADO

“Vendo as multidões, sentiu compaixão delas, porque estavam desorientadas e indefesas,
como ovelhas sem pastor.” (Mt 9,36)
   
Texto Bíblico: Mateus 9,36-10,8

1 – O que diz o texto?
O que move a vida de Jesus é a compaixão e a compaixão é expansiva, tem impacto profundo naqueles e naquelas que estão ao seu redor. Compaixão desperta compaixão pois ela é mobilizadora dos sentimentos mais nobres presentes no interior de cada um.

No calor da compaixão ativada brota o chamado de Jesus e a resposta dos seus seguidores e suas seguidoras. Sem compaixão, a resposta ao chamado se esvazia, o serviço se burocratiza, o seguimento vira lei. 

Jesus não nos chama para seguir uma religião, uma doutrina, nem faz proselitismo... Ele desencadeia um movimento e nos convoca a segui-Lo, ou seja, identificar-nos com Ele e com sua proposta de vida.

O horizonte do chamado e do envio não é outro que o compromisso em favor da vida e das pessoas, frente àquelas forças que tendem a travar e danificar a mesma vida. A partir desta perspectiva, a “missão” pode reencontrar seu verdadeiro sentido.

Enviados e enviadas em favor da Vida, seus seguidores e suas seguidoras sabem muito bem qual é o encargo que Jesus lhes confia. Nunca O viram governando a ninguém; sempre O conheceram curando feridas, aliviando o sofrimento, regenerando vidas, destravando os medos, contagiando confiança em Deus.

A novidade de Jesus consiste justamente em afirmar que existe um caminho para encontrar a Deus que não passa pelo Templo, pela pompa dos ritos e pela observância estrita das leis. Desse modo, reconhece-se a vida como lugar privilegiado da Sua Presença.

Uma pessoa que se define tem força para despertar, para arrastar, para mobilizar os outros...

Jesus é o homem que se definiu. Por isso, Ele nos inspira e nos impulsiona. Inspirar e impulsionar, impulsionar a partir da inspiração: isso é seduzir no melhor sentido da palavra.

Jesus não nos seduz simplesmente para provar sua condição divina ou a veracidade de sua mensagem. Ele nos seduz porque foi um homem de carne e osso como nós, e porque alcançou um grau de humanidade, de compaixão e liberdade, de sensibilidade e compromisso..., que está em nossas mãos alcançar.

É aqui, neste mundo, que Deus nos chama a estender o seu Reinado, trabalhando cada dia como amigos e amigas de Jesus que passam, se compadecem, curam, ajudam, transformam, multiplicam os esforços humanos. Apaixonados e apaixonadas por Deus, apaixonam-se pelo mundo que, em sua diversidade, riqueza, profundidade, fragilidade, sabedoria... lhes fala e lhes revela o rosto misericordioso do Deus que se humanizou para humanizar nossas vidas.

Como Igreja, nem sempre temos adotado o estilo itinerante que Jesus propõe. Nosso caminhar torna-se  lento e pesado; não acertamos o passo para acompanhar a humanidade; não temos agilidade para deslocar-nos em direção à margem sofredora; agarramos ao poder e às estruturas que tiram a mobilidade; enredamos nos interesses que não coincidem com o Reinado de Deus.


2 – O que o texto diz para mim?
A grande novidade e originalidade de Jesus (sua subversão) começou em sua maneira de olhar a realidade e de deixar-se afetar por ela. A “subversão” da vida começa pela subversão do olhar e vice-versa. O coração sente de acordo com o que os olhos veem, mas os olhos veem de acordo com o que sente o coração. A realidade subverte o olhar, e o olhar subverte a realidade. Olhos que não veem, coração que não sente. Mas os olhos não veem quando o coração não sente.

Os olhos de Jesus viram muita dor, miséria, violência..., e suas entranhas se comoveram. Viu o seu povo despojado da terra, dos direitos mais elementares... Jesus viu e se compadeceu; compadeceu-se e indignou-se; indignou-se e se comprometeu na transformação daquela realidade dolente; comprometeu-se porque seus olhos viram mais a fundo, mais além, outro mundo possível.

Na raiz de sua atividade terapêutica e inspirando toda sua atuação junto aos enfermos está sempre seu amor compassivo. Jesus se aproxima dos que sofrem, alivia sua dor, toca os leprosos, liberta os possuídos por espíritos malignos, os resgata da marginalização e os devolve à convivência.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Os seguidores e as seguidoras de Jesus não são aqueles ou aquelas que, por medo, se distanciam do mundo, mas é aquele e aquela que, movido por uma radical compaixão, desce ao coração da realidade em que se encontra aí se encarna e aí revela os traços da velada presença d’Aquele que é a Misericórdia.

Jesus não fundou o clero nem quis instituir um corpo de “homens sagrados”, uma espécie de funcionários do templo, constituindo-se numa “classe superior”. O que Jesus quis foi “discípulos e discípulas” que lhe “seguissem”, ou seja, que vivessem como Ele viveu: dedicados a curar enfermidades, aliviar sofrimentos, acolher as pessoas mais perdidas e extraviadas. Assim nasceu o “movimento de Jesus”.

Estou, talvez, experimentando a frustração de não ter acertado na rota da busca da vida plena e transbordante na qual quis investir as minhas melhores energias: sentindo-me cansada de palavras sem significado e sentindo fome de proximidade, de presença, de compromisso.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, Jesus, o “rosto misericordioso do Pai”, continua passando diante de mim, parando e fazendo um chamado que desperta comoção e compaixão. Sua presença provocativa e seu chamado exigente colocam em questão meu costume de me refugiar no mundo asséptico das doutrinas, na tranquilidade de uma vida ordenada, satisfatória e entorpecida, na segurança de horários imutáveis e de muros de proteção, longe do rumor da vida que luta para ter um lugar ao sol, dos gritos daqueles que sofrem e morrem nas periferias deste mundo.

Escutar e seguir Seu chamado implica abandonar a estreiteza de meus caminhos e deixar o meu coração bater no ritmo dos doentes e marginalizados, vítimas da desumanização de minha sociedade.

O importante não é pôr em marcha novas atividades e estratégias, senão desprender-me de costumes, estruturas e dependências que estão me impedindo ser livre para contagiar o essencial do Evangelho, com verdade e simplicidade.

Jesus, foi o homem que se definiu, tinha claro qual era sua missão; por isso, me apresenta uma causa muito nobre e, com seu chamado, rompe, meu estreito mundo e desperta em mim ricas possibilidades, reacende o que de mais nobre há em mim e amplia o meu horizonte de vida.

Seguir Jesus Cristo é aderir a Ele incondicionalmente, é “entrar” no seu caminho, recriá-lo a cada momento e percorrê-lo até o fim.

Seguir é deixar-me “configurar”, isto é, movimento pelo qual vou sendo modelada à imagem de Jesus Cristo.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Para Jesus, o ideal de sua mística é “viver com um pé levantado”, isto é, sempre pronta para responder às oportunidades que são oferecidas pela vida.

Seguidores e seguidoras de Jesus vivem a aventura enquanto capacidade de estar “na frente” de situações desafiantes, superando o medo de romper paradigmas, potencializando talentos e fomentando a criatividade...

Tem a ousadia de inovar, a coragem de arriscar e a vontade de realizar mudanças importantes.

Para isso é preciso despojar-me de hábitos arraigados, pré-juízos, ideias fixas, modos fechados de viver e abandonar a atitude do “sempre fizemos assim”. Estes são os vícios que impedem uma resposta diferente e sedutora num mundo em transformação.

A compaixão deve configurar tudo o que constitui minha vida: minha maneira de olhar as pessoas e de ver o mundo; minha maneira de me relacionar e de estar na sociedade, minha maneira de entender e de viver a fé cristã...


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 9,36-10,8
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne    


Sugestão:
Música: Lírios e pardais – fx 05 (03:36)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérpretes: Participação: Sonia Mara, Monalisa, Farid.
Coro: Caio Flavio, Maria Helena, Maria do Carmo, José Carlos, Nico Ferreira, Chico.
CD: Sereno e forte
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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