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IDENTIDADE DESVELADA A SERVIÇO DA VIDA

Data de publicação: 27/06/2017


Leitura Orante –  Festa de São Pedro e São Paulo, 02 de julho de 2017

IDENTIDADE DESVELADA A SERVIÇO DA VIDA

“Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus; assim, o  que ligares na terra terá sido ligado nos Céus,
e o que desligares na terra terá sido desligado nos Céus”. (Mt 16,19)

Texto Bíblico: Mateus 16,13-19

1 – O que diz o texto?
Neste domingo celebramos a festa de duas grandes figuras-chave na Igreja: Pedro e Paulo; fortes personalidades que fizeram uma impactante experiência de encontro com o peregrino da Galiléia. E foram profundamente transformados, a ponto de terem seus nomes mudados pelo próprio Jesus Cristo.

Diante das maravilhadas que serão proclamadas de um e de outro, podemos apresentar uma pergunta que pode nos parecer estranha. “Quê fica de Simão em Pedro?”, “Quê fica de Saulo em Paulo?”.

Porque Pedro, primeiro foi Simão; Paulo foi Saulo. E Jesus chamou Simão e chamou Saulo. Em seguida, mudou o nome deles para Pedro e Paulo.

Simão, o homem do lago e da barca de pesca; Saulo, o zeloso fariseu, fiel seguidor da lei e perseguidor da Igreja. Pedro, o homem da Igreja, a rocha sobre a qual Jesus assenta sua nova comunidade. E todos nós o recordamos como o homem das “chaves”.

Paulo, o apóstolo dos gentios, fundador de novas comunidades cristãs para além do território judaico.

Mas, retornemos às perguntas: o que permaneceu de Simão, aquele do lago, no Pedro da Igreja? Desapareceu o verdadeiro Simão e ficou somente o Pedro? Ou teríamos de dizer que há nele uma mescla de Simão e de Pedro? O que permaneceu de Saulo, fariseu e filho de fariseu, no Paulo que alargou as fronteiras da primitiva Igreja?

O Pedro, rocha firma, não deixa de ser o Simão do lago. Apesar de Jesus ter mudado seu nome, no entanto, em diferentes ocasiões aflora o Simão que não consegue entender Jesus e quer desviar o mestre de seus planos e projetos. Continua vivo o Simão que busca o triunfalismo messiânico de Jesus e revela resistência em seguir Aquele que vai ser crucificado. Continua sendo o Simão que compete com os outros sobre a primazia no novo Reino, e crê que é ele quem vai dar a vida por Jesus. Continua sendo o Simão covarde e com medo que nega Jesus na noite da Paixão.

O mesmo poderíamos dizer de Saulo. Muitos traços seus continuam presentes na nova identidade: Paulo.

No evangelho de hoje, Jesus deixa transparecer sua identidade através da confissão de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”; e, ao mesmo tempo, Jesus desvela a identidade de Pedro: “Tu és “petros” (pedregulho) e sobre esta “petra”(rocha) edificarei minha igreja”. Pedro se torna rocha firme (“petra”) quando se apoia na identidade de Jesus (a verdadeira Rocha).

Pedro, que era “petros” (pedra de tropeço no caminho, frágil, limitado...), foi sendo transformado, através da identificação com Jesus, em “petra”, rocha firme da primitiva comunidade cristã.

Dessa forma, o Simão que era “petros” - pedra lentamente vai fazendo a travessia para “Petra” - rocha firme, porque o mestre desvelou a nobreza que estava escondida no coração dele, ou seja, sua verdadeira identidade sobre a qual o mesmo Jesus iria edificar sua igreja.

Diante dos dois personagens, Pedro e Paulo, vamos intuindo que a questão não é trocar simplesmente de nome. A Graça não destrói a natureza humana, mas a plenifica e a torna expansiva. Em Pedro, a graça não destrói o Simão, em Paulo não destrói o Saulo. Eles procurarão conservar a fidelidade a Jesus e à comunidade dos seus seguidores, mas cada um imprimirá sua própria personalidade.


2 – O que o texto diz para mim?

A graça do seguimento de Jesus não apaga minha condição humana, minha herança genética, minha personalidade, minha psicologia, minha sensibilidade e meu mundo afetivo; carrego comigo minha cultura e minha própria história humana.

O desafio é este: que permanece de minha herança biológica e cultural na experiência do seguimento de Jesus? É possível que em mim, em “Pedro”, permaneça latente muito de “Simão”; em “Paulo”, permaneça muito de “Saulo”. E como distinguir o Simão de Pedro que carrego dentro de mim? Não é fácil a Pedro desprender-se do Simão de antes, nem a Paulo desprender-se do Saulo de antes.

Só a identificação com Jesus possibilita fazer a travessia para o “novo nome”, integrando e pacificando  as “marcas humanas” do antigo nome.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O Evangelho da festa de hoje me ajuda a ler minha vida. Ali afirma-se minha identidade; e a identidade de uma pessoa é dada por aquilo que é sólido, consistente... no seu interior, que não se desfaz com as adversidades do mundo no qual vivo (crises, fracassos, fragilidades, incoerências...).

Toda pessoa possui dentro de si uma profundidade que é seu mistério íntimo e pessoal.

“Viver em profundidade” significa “entrar” no âmago da própria vida, “descer” até às fontes do próprio ser, até às raízes mais profundas.

Muitos caminhos conduzem à própria interioridade.

A oração é a chave de acesso; ela é esse silencioso exercício de deixar que Deus me habite para que eu possa abrir as portas do coração e janelas da mente àqueles com quem me encontro.

Onde a Graça de Deus tem liberdade de atuar, ali afloram o Pedro e o Paulo que tenho atrofiados dentro de mim.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a própria interioridade é a rocha consistente e firme, bem talhada e preciosa que cada pessoa tem, para encontrar segurança e caminhar na vida superando as dificuldades e os inevitáveis golpes da luta pela vida. Com confiança em si e na rocha do próprio ser, todas as forças vitais se acham disponíveis para ajudar a pessoa a crescer dia-a-dia, tornando-a aquilo que originalmente é chamada a ser.

Para isso tenho em minhas mãos as chaves da vida. O que faço com elas? Posso abrir ou fechar, ligar ou desligar, atar ou desatar.... Ter a chave da vida como Pedro e Paulo ou como Simão e Saulo: abrir ou fechar as portas do futuro, das relações, dos sonhos, da missão... Dar amplitude à vida ou atrofiá-la. Atar ou desatar os nós da vida.... Aqui está o grande desafio: abrir-se ou fechar-se: abrir-se à vida, ao novo, ao outro, ao desafiante ou diferente... ou retrair-se ao próprio ego.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Ter identidade é assentar minha vida sobre a rocha interior (Pedro) que me sustenta e me faz sair da prisão do ego (Simão).

Minha identidade é sempre dinâmica, histórica, fecunda, aventureira...

Minha vida é uma contínua travessia do Simão-Saulo para Pedro-Paulo, porque ela está centrada n’Aquele que tudo sustenta.

Colocar a minha identidade profunda a serviço do Reino, como Pedro e Paulo.



Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 16,13-19
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne    


Sugestão:
Música: Paulo, Paulo fx 08
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérpretes: Grupo Chamas, Ana Paula, Edicléia Toneti, Verônica Firmino.
CD: Ouço tua voz
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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