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A LUZ QUE NOS TRANSFIGURA

Data de publicação: 31/07/2017


Leitura Orante –  18º domingo do tempo comum, 06 de agosto de 2017

A LUZ QUE NOS TRANSFIGURA

“O seu rosto ficou resplandecente como o sol,
e suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17,2)

Texto Bíblico: Mateus 17,1-9


1 – O que diz o texto?
“Saí de vossas trevas! Deixai para trás a segurança do vale e empreendei sem medo a subida ao monte, porque lá no alto a luz vos espera!”. Este poderia ser o apelo do evangelho da Transfiguração, que pede de nós mobilidade para sair das falsas seguranças de uma vida sem horizontes.

De fato, há em nós uma força atrofiadora que nos faz preferir a acomodação, permanecendo tranquilos, perdidos no imediato e alheios à capacidade de transfiguração que se esconde por detrás da aparente normalidade das pessoas e das coisas.

“O mundo está cheio de esplendor espiritual e de segredos maravilhosos, mas basta um pequeno cisco sobre nossos olhos para que tudo fique escondido”(Baal Sem Tov).

Por isso, no Evangelho de hoje, e com diferentes graus de intensidade, o evangelista sai da esfera plana das descrições precisas e exatas e se expressa na linguagem do excessivo, do simbólico, do totalizante: “seu rosto brilhou como o sol”, “suas roupas ficaram brilhantes como a luz”, “uma nuvem luminosa os cobriu”...

E como contraste escuro frente a tanta luz, três pobres homens assustados que balbuciam disparates, que preferiam dormir e ficar aí junto a esta situação tão surpreendente.

Na costumeira cotidianidade, o perigo de não valorizar a luz é evidente; no entanto, para quem contempla sua cotidianidade, a formosura da luz que se derrama sobre nós que vivemos neste planeta sem luz própria é a prova da generosidade de Deus para conosco.


2 – O que o texto diz para mim?

No ritmo do cotidiano, o dom imenso da luz passa desapercebido. Que o digam aqueles que não podem ver; que o digam aqueles que nunca puderam estremecer-se diante de um pôr do sol ou diante das cores vivas de uma pintura; que o digam aqueles que nunca puderam ver o brilho de uns olhos cheios de amor...

A Transfiguração está me dizendo quem era realmente Jesus e quem sou eu realmente.

Essa cena que Mateus relata é um símbolo das muitas “experiências de transfiguração” que todos experimentamos. A vida diária tende a fazer-se cinza, monótona, cansada, e a deixar-me desanimada, sem forças para caminhar. Mas, eis que surgem momentos especiais, com frequência inesperados, em que uma luz atravessa meu coração, e os olhos de minha interioridade me permite ver muito mais longe e muito mais fundo daquilo que estava acostumada a olhar até esse momento.

A realidade é a mesma, mas me aparece transfigurada, com outra figura, revelando sua dimensão interior, essa na qual tinha acreditado, mas que com o cansaço do caminhar tinha esquecido. Essas experiências, verdadeiramente espirituais, me permitem renovar minhas energias e, inclusive, entusiasmar-me para continuar caminhando, com o sentimento de “como se visse o Invisível”.

Aquele Monte (Tabor) foi um espaço instigante para Jesus, lugar alto de sua experiência radical, de onde Ele podia ver os problemas da humanidade, para senti-los, para assumi-los e mudar... O mesmo Jesus me faz subir à grande montanha para que eu veja as coisas de outra forma, de outra perspectiva...


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
É preciso, de vez em quando, tomar distância e me afastar do cotidiano rotineiro e atrofiado, para ampliar minha visão e contemplar o drama humano; é decisivo me situar diante do calor de Deus (sarça ardente) para desvelar minha verdadeira identidade. Somente assim a Montanha me transfigurará para que me empenhe no serviço em favor dos “desfigurados” do mundo.

Aspiro por experiências como a dos discípulos de Jesus no alto do Tabor. Mas eu não posso me encontrar com Jesus no Tabor da Galiléia. Necessito buscar meu Tabor particular, os rincões de minha morada interior onde estão as fontes que mais forças me dão, as luzes com as quais me sintonizo para iluminar e dar um novo significado ao meu compromisso primeiro.

Sou portadores de uma luz que procede de dentro, uma iluminação interior, que só aquele que vive a partir de sua própria interioridade consegue ter acesso a ela.

Há vidas luminosas e vidas obscuras. Há pessoas cuja luz interior transfigura suas vidas: vivem na transparência da luz, seus gestos e atos são luminosos, admiram-se com o brilho da vida e desejam que tudo tenha esse brilho, iluminam com sensata positividade tudo o que acontece ao seu redor coloca-se sempre na perspectiva de quem desfruta da cor e do amor no encontro com os outros...

O resplendor da Transfiguração brilha no meu interior; não me vejo vazia por dentro porque no mais profundo de mim mesma, na morada mais interior, está o “sol de onde procede uma grande luz” (Santa Teresa de Jesus).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, ao relatar suas experiências espirituais, muitos místicos fazem referência a uma luz que ilumina com força seu interior. É uma graça que não se revela rara, pois tenho consciência que “Deus é luz” e que o mesmo Jesus se definiu como a “Luz do mundo”. Sou envolvida providencialmente por esta expansiva Luz.

Todas as pessoas que fizeram esta experiência de encontro com o “Deus da Luz” puseram os meios para fazer a viagem interior e ativar a “faísca da luz divina” ali presente. Na medida em que se deixaram invadir por essa luz, aproximaram-se cada vez mais dela para vivê-la com mais intensidade e para deixá-la refletir em seus rostos e ações. Por isso, foram pessoas de presenças originais e iluminantes em seu meio.

A transfiguração não é condição de um “iluminado”, mas a realidade de toda pessoa que é capaz de “sair de seu próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). Deixar-se transfigurar é descentrar-se e expandir sua luz, para realizar aquele chamado único de Jesus: “Vós sois a luz do mundo”.

Na minha vida cristã não faltam momentos de claridade e certeza, de alegria de luz.

E tudo depende de minha visão, ou seja, meu olhar só capta o imediato e rasteiro que me rodeia, ou se é capaz de descobrir o profundo e o luminoso em tudo... “Tudo é segundo a cor da lente com que se olha”.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Deixar-me transfigurar. Sou ser de luz e minha verdadeira transformação nasce de meu interior.

Na Transfiguração, Jesus me faz descobrir meu verdadeiro ser, que vejo refletido n’Ele.

Transfiguração é festa da luz: Jesus é a Luz e no encontro com Sua Luz posso ativar a tímida luz presente no meu interior. Só assim poderei ampliar os espaços de luz em minha vida, para contagiar-me de luz e para comunicar uma mística de luz em meu entorno. Não se trata de falsas iluminações, mas de alcançar outra perspectiva de vida, mais luminosa, mais positiva, mais esperançada.

Para transitar na noite de meu tempo preciso buscar na Transfiguração a Luz que  ilumine e me indique a direção e o sentido de minha existência.

A “noite de meu mundo”- carregada de tanta corrupção, violência, preconceito - pede pessoas marcadas pela experiência da Transfiguração, capazes de ver a presença d’Aquele que é a Luz no meio das realidades simples e cotidianas, no profundo do coração de cada ser humano, de cada realidade vivente, de cada palmo de minha terra, no mistério insondável do universo grávido de graça.

Preciso cultivar não só olhos que vejam a realidade, senão que sejam capazes de contemplar, no meio da noite, a presença da Luz: uma luz que brota das profundezas da realidade, do profundo do ser onde o Deus, Fonte de vida, sustenta tudo; uma luz que me faz descobrir meu ser essencial: filha e filho amada(o) e irmanada(o) com todos e com tudo.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 17,1-9
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne    


Sugestão:
Música: Canção em fé maior – fx 04 (03:52)
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj
CD: Canção em fé maior
Gravadora:  Paulinas Comep

Fonte: Pe. Adroaldo Palaoro, sj
Postado por: admin_radio

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