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Leitura Orante

Data de publicação: 12/03/2015


Leitura Orante  - Quarto domingo da quaresma,  15 de março de 2015

Quaresma: “contemplar novos e estranhos mundos”

“...porque Deus amou tanto o mundo...” (Jo 3,16)

Jo 3,14-21

1 – O que diz o texto?

 “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o que nele crer tenha vida eterna”. De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem crê nele não será condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. Ora, o julgamento consiste nisto: a luz veio ao mundo, mas as pessoas amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Pois todo o que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que suas ações sejam manifestadas, já que são praticadas em Deus.


2 – O que o texto diz para mim?

Esta afirmação faz parte do núcleo essencial da fé cristã. Deus ama o mundo, e o ama tal como é: inacabado e imperfeito, cheio de conflitos e contradições, capaz do melhor e do pior... Este mundo não percorre seu caminho sozinho, perdido e desamparado. Deus o envolve com seu amor de ternura.

Isto tem consequências de máxima importância. O mundo inteiro transforma-se em objeto do meu interesse e da minha preocupação.

Se há um “hábito do coração” que poderia ser ativado nesta Quaresma é este: a “leitura orante da realidade do mundo”. Este “hábito do coração” tem suas raízes no relato evangélico de hoje, onde Jesus me convoca a olhar o mundo como Deus olha: com amor e compaixão.

Assim como a Salvação do mundo foi determinada a partir de um “olhar” que saiu do coração de Deus, que pousou sobre o mundo e que voltou ao seu coração, estremecendo-O de compaixão e movendo-O à ação, assim também a minha  presença no mundo tem de ter sua origem num olhar misericordioso e compassivo, amoroso e esperançoso...

 

3 – O que a Palavra me leva  a experimentar?

Inspirada na afirmação de Jesus, contemplar  com o olhar do Deus compassivo esse mundo fragmentado, cheio de conflitos que geram sofrimento, exclusão, morte... E esses espaços e fronteiras são cada vez mais extensos e problemáticos; mas, nas profundezas de todos esses “mundos que me são estranhos” se revela a presença amorosa do Pai. Pois tudo foi alcançado e redimido pelo amor expansivo de Deus.

A Quaresma me  conduz à contemplação da realidade na qual vivo e à qual sou enviada apostolicamente; tal exercício me possibilita ter presente, como uma visão de conjunto, as grandes questões sociais e eclesiais que desafiam hoje os cristãos, enquanto seguidores de Jesus e comprometidos com a fé e a justiça, em diálogo com a cultura e com as tradições religiosas.

Esta contemplação da realidade (“ver o mundo”) me ajuda aproximar e a conhecer mais profundamente o mundo no qual estou imersa. Nesse sentido, contemplar o mundo a partir de Deus é  um convite desafiador.

As grandes fronteiras do mundo (globalização, diferentes culturas, ciência e tecnologia, ecologia, bioética, migrações...) vão adquirindo cada dia proporções novas e surpreendentes; elas constituem os grandes desafios que pedem de mim, seguidora  de Jesus, uma presença inspiradora e samaritana.

 

4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?         

Esta é a atitude contemplativa: ver Deus no mundo e o mundo em Deus.

Senhor, neste momento em que tudo parece confuso, incerto e desalentador, nada me impede introduzir um pouco de amor, de compaixão, de sensibilidade e justiça, no mundo. É o que fez Jesus. Sua presença nas periferias da pobreza e exclusão deixou transparecer o rosto humano e compassivo do Pai.

O mistério Pascal me convida a “olhar” essa terra cotidiana, essa humanidade, fragilidade, paixões, sentimentos, fracassos, imperfeições... Senhor, acredito que se encontra misturado com tal realidade, salvando-a.

Nesta contemplação vai se purificando minha imaginação e o  mundo afetivo para poder seguir a Jesus em um serviço como o seu, no lugar mesmo onde Ele se fez presente para fazer Redenção.

A espiritualidade quaresmal me convida à missão apostólica, desvelando os aspectos criativos e esperançosos da realidade, denunciando as forças que desagregam ou excluem, propondo novos modos de viver o compromisso eclesial e social..., enfim, impulsionando a ser agente de transformação e atuante no âmbito público.

Isso demanda lucidez, conhecimento rigoroso e sapiencial da realidade; para isso é preciso deixar-me  afetar pela realidade (compaixão), incorporar uma leitura compassiva e entrar no fluxo da graça expansiva de Deus, que tudo redime.

 

5 – O que a Palavra me leva  a viver?

Ter uma atitude de compaixão: não de confrontação ou enfrentamento, mas movidos pelo desejo de compreender as entranhas do mundo no qual vivo. Não se trata de fazer um juízo moral sobre ele, nem para aprová-lo nem para condená-lo. Assumir uma atitude crítica valorizando o que nele há de potencialidades abertas e emergentes, bem como detectando suas limitações, desvios... Ao mesmo tempo querer me deixar interpelar por ele, fazendo com que ressoem em mim suas perguntas e suas inquietações, suas luzes e suas sombras, suas riquezas, seus paradoxos e suas contradições.

Olhar o mundo como “sacramento de Deus”. Um olhar capaz de descobrir os sinais de esperança que existem no mundo; um olhar afetivo, marcado pela ternura, pela compaixão e por isso gerador de misericórdia; um olhar que compromete solidariamente.

Esse tempo quaresmal me  sensibiliza e me  capacita para me  aproximar desse  mundo com uma visão mais contemplativa. O “subir” até Deus passa pelo “descer” até às profundezas da humanidade.


Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje – João
              Pe. Adroaldo – reflexão do Evangelho

              Desenho: Osmar Koxne

            

Fonte: Pe. Adroaldo
Postado por: admin_radio

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