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Leitura Orante

Data de publicação: 31/03/2015



Leitura Orante  - Quinta-feira Santa,  02 de abril de 2015

LAVA-PÉS: passagem de “ser servido” para “ser servidor”

“Se eu, o Senhor e mestre, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns dos outros”

Texto Bíblico: João 13,1-15

Jesus lava os pés dos discípulos

1Faltava somente um dia para a Festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a hora de deixar este mundo e ir para o Pai. Ele sempre havia amado os seus que estavam neste mundo e os amou até o fim.

2Jesus e os seus discípulos estavam jantando. O Diabo já havia posto na cabeça de Judas, filho de Simão Iscariotes, a idéia de trair Jesus. 3Jesus sabia que o Pai lhe tinha dado todo o poder. E sabia também que tinha vindo de Deus e ia para Deus. 4Então se levantou, tirou a sua capa, pegou uma toalha e amarrou na cintura. 5Em seguida pôs água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha. 6Quando chegou perto de Simão Pedro, este lhe perguntou:

— Vai lavar os meus pés, Senhor?

7Jesus respondeu: 

— Agora você não entende o que estou fazendo, porém mais tarde vai entender!

8— O senhor nunca lavará os meus pés! — disse Pedro.

— Se eu não lavar, você não será mais meu discípulo! — respondeu Jesus.

9— Então, Senhor, não lave somente os meus pés; lave também as minhas mãos e a minha cabeça! — pediu Simão Pedro.

10Aí Jesus disse:

— Quem já tomou banho está completamente limpo e precisa lavar somente os pés. Vocês todos estão limpos, isto é, todos menos um.

11Jesus sabia quem era o traidor. Foi por isso que disse: “Todos menos um.”

12Depois de lavar os pés dos seus discípulos, Jesus vestiu de novo a capa, sentou-se outra vez à mesa e perguntou:

— Vocês entenderam o que eu fiz? 13Vocês me chamam de “Mestre” e de “Senhor” e têm razão, pois eu sou mesmo.



1 – O que diz o texto?
O texto joanino me diz que Jesus realizou o “lava-pés” durante a ceia. Todas as refeições tinham o “lava-mãos”. Algumas ceias especiais tinham o “lava-pés” no início como sinal de acolhida e de hospitalidade.

Jesus “levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a à cintura”.
“Levantou-se da mesa”: este gesto de Jesus assume um significado especial. Revela-me  que não se pode servir permanecendo em meu  comodismo. O gesto de levantar denota que há algo por ser feito.

“Ficar de pé”  é posição que expressa prontidão para servir; para isso é preciso deslocar-se do próprio “lugar” e descer  até o “lugar” do outro. É desinstalar-se do próprio bem estar, é dinamismo.
Jesus não faz um gesto teatral; Ele revela aos apóstolos um “novo ângulo”  ou um novo modo de ver as coisas: não a partir do lugar dos comensais, mas a partir da perspectiva de quem não está sentado à mesa.

O gesto de Jesus me convida a deslocar me, ou seja, ocupar o lugar da pessoa que não participa da mesa.

“Estar à mesa” é sempre sinal de fraternidade, de comunhão, mas é necessário saber levantar-se na hora certa para poder servir com amor.



2 – O que o texto diz para mim?
Jesus sente que sua “hora” se aproxima, reúne os seus discípulos e manifesta-lhes o último desejo com um gesto que marcará para sempre a história da humanidade: o “lava-pés”.

“Tirou o manto”: Ele mesmo se despoja. Abrir mão do manto é uma iniciativa livre e soberana, que nasce de seu próprio interior. O manto impede a liberdade de movimentos, não permite fazer o serviço com facilidade. Há “mantos” que são sinais de poder.

O Senhor assume, em tudo, a condição de servo, para servir. Troca o manto pela toalha-avental.
As autoridades religiosas vestiam-se do distintivo  de autoridade-poder, para servir o povo. Jesus despe se dele, para servir. Ele serve verdadeiramente como servo. Os outros serviam como senhores.

É necessário arrancar “todos os mantos do poder” para poder redescobrir a verdadeira dignidade humana desnuda e despojada de todas as aparências. Não há serviço sem se despir de todas as aparências de poder, de força, de prestígio. Não é possível amar colocando-se longe do outro.



3 – O que a Palavra me leva  a experimentar?
“Coloca água numa bacia e começa a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido”. Normalmente os preparativos ficam por conta de outros; é o servo que prepara a bacia com água para que o senhor lave os pés de outro. Aqui Jesus assume os preparativos, não faz trabalho pela metade. A água derramada não é feita com violência, nem com força, mas com extrema delicadeza, com atenção e amor. Amar é tocar de perto, ajudar, caminhar juntos...; nesse gesto de elevação Jesus revela um amor “físico”, de contato corporal e de serviço, de ajuda humana e de dignidade. Ele não quis só ensinar, dar comida, mas aproximar-se, ajoelhar-se, lavar...

O gesto que Jesus faz expressa o que Ele é. Ele é inteiramente servo. Todo o seu ser está a serviço. Ele se dá naquilo que faz, e faz o que propõe aos discípulos.

Lava os pés dos discípulos. Inclina-se aos pés deles, até o chão. Com reverência, o mestre lava os pés dos discípulos: essa é a dinâmica que revela a novidade do Reino de Deus. “Lavar os pés” dos discípulos é cuidar dos que servem os servos.

Jesus sabia que seus discípulos tinham pés frágeis, pés de argila. E se os pés são, na mentalidade judaica, símbolo de infância e prazer, seus pés precisariam, sem dúvida, ser lavados de todas as suas memórias negativas. Cada discípulo era uma criança doente, e era preciso, em primeiro lugar, curar essa criança antes que ela se colocasse a caminho para anunciar o Evangelho, a Boa-Nova.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?   
Senhor, todos os gestos do lava-pés possuem uma sacralidade própria, uma reverência, uma paz e calma especial. Não há pressa, não há agressividade, não há nada que possa dar a mínima aparência de algo que fosse obrigado. No corre-corre da vida é urgente reassumir a linguagem dos gestos que se perdem na pressa, na mania de fazer muitas coisas porque outras nos atropelam e nos distraem do essencial.


5 – O que a Palavra me leva  a viver?
“Depois que lhes lavou os pés, retomou o manto, voltou à mesa e lhes disse: ‘compreendeis o que vos fiz?’” Jesus volta ao lugar em que estava antes, mas volta diferente.

Ele repõe o manto, mas não depõe a toalha-avental. Ele assume e visibiliza uma nova realidade que caracteriza o novo modo de ser, que é próprio dos cristãos. O amor serviço tem como primeiro símbolo o avental. O avental é o selo de autenticidade que orienta, credita e dignifica a autoridade que se faz serviço. A autoridade cristã nasce do serviço, se sustenta nele, só persevera servindo.

Jesus pede que a dinâmica iniciada por Ele tenha continuidade, seja progressiva e circular, partindo do meio para a periferia em forma de círculo a fim de atingir a todos.
O novo modo de exercer a autoridade é praticado primeiro entre todos os que participam da ceia, mas deve ser exercido sem limite de tempo ou de espaço, isto é, deve atingir toda criatura em todos os tempos até a plenitude.

Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje – João 13,1-15
              Pe. Adroaldo – reflexão do Evangelho
              Desenho: Osmar Koxne       

Fonte: Pe. Adroaldo
Postado por: admin_radio

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