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Leitura Orante

Data de publicação: 02/04/2015

Leitura Orante  - Sexta-feira Santa,  03 de abril de 2015
SEXTA-FEIRA SANTA:  O mistério da Cruz nos desvela (tira o véu)

Texto Bíblico: João 19, 31-37

Um soldado fura o lado de Jesus

31Então os líderes judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos que tinham sido crucificados e mandasse tirá-los das cruzes. Pediram isso porque era sexta-feira e não queriam que, no sábado, os corpos ainda estivessem nas cruzes. E aquele sábado era especialmente santo. 32Os soldados foram e quebraram as pernas do primeiro homem que tinha sido crucificado com Jesus e depois quebraram as pernas do outro. 33Mas, quando chegaram perto de Jesus, viram que ele já estava morto e não quebraram as suas pernas. 34Porém um dos soldados furou o lado de Jesus com uma lança. No mesmo instante saiu sangue e água.

35Quem viu isso contou o que aconteceu para que vocês também creiam. O que ele disse é verdade, e ele sabe que fala a verdade. 36Isso aconteceu para que se cumprisse o que as Escrituras Sagradas dizem: “Nenhum dos seus ossos será quebrado.” 37E em outro lugar as Escrituras Sagradas dizem: “Eles olharão para aquele a quem atravessaram com a lança.”


1 – O que diz o texto?
A crucifixão não foi um ato isolado, mas o cume de uma vida comprometida. Não agrada ao Pai a Cruz pelo que tem de sofrimento, mas porque supõe uma vida que se entrega até esse extremo.
Contemplar a paixão e morte de Jesus em toda sua crueza, me leva a mergulhar na condição humana, a descobrir dimensões de minha  própria humanidade que, nesta cultura mentirosa, são mutiladas e reprimidas de tal maneira que me torna incapaz de ser portadora de Boa Notícia.

Junto à Cruz sou levada a crer que aliviar o sofrimento neste mundo não é uma questão puramente  analgésica, quando, na realidade, o que se trata é da implicação compassiva nesse território tão humano e tão divino no qual as razões, doutrinas e morais fracassam: a “loucura” de um Deus Comunidade implicado no sofrimento de suas criaturas.


2 – O que o texto diz para mim?
O teólogo e mártir Bonheoeffer  afirma: “Em Jesus crucificado se rompem todas as ideias sobre Deus que as pessoas construíram através da história. Nele aparece a debilidade e o sofrimento de Deus. Só um Deus que sofre pode ajudar-nos”. É a partir da Cruz onde Deus me diz que o mais divino que há em mim é a luta solidária por fazer um mundo mais justo e mais humano. Minha missão será a de fazer descer da Cruz os crucificados da história, me unir aos milhões de pessoas indignadas que se manifestam a favor de uma sociedade mais justa e menos desigual.

A Cruz não é um adorno, nem um objeto de culto, nem um amuleto. É um sinal;  e, como todo sinal, indica algo: até onde pode chegar a brutalidade humana, quando os interesses, as ideias políticas ou religiosas, as leis... são colocados acima do ser humano.

E indica algo mais: até onde chega o amor e a generosidade de Jesus, que não duvidou em sua entrega; até onde chega o amor do Pai que em Jesus se fez visível.


3 – O que a Palavra me leva  a experimentar?
Em Getsêmani, quando todos o abandonaram e fugiram, o Compassivo permanece em radical solidão, ninguém se interessa mais por Ele; esta solidão vital lhe provoca uma angústia de morte, o sacode e o aflige, levando-o à prostração. No Gólgota, Jesus experimenta, junto ao abandono, o fracasso, tudo se dilui, o mundo lhe cai em cima.
Adentrar-me  em meu próprio Getsêmani e Gólgota é abordar minha radical solidão. Mesmo que produza vertigem e me enche de angústia, é preciso olhar o túnel de frente e entrar nele.

Então, invoco Àquele que me  pode sustentar e sair do túnel com uma solidão habitada, com o sentimento de uma presença, com a vida enraizada no único que é fonte de vida e liberdade. Começo a ver tudo com olhos novos, o sofrimento e a angústia transformam-se em Vida.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?   
Senhor  Deus, sei “ler” este sinal, quando escuto Jesus que me  diz: “Ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida por seus amigos”. Não posso tirar nenhum espinho da coroa de Jesus, nem diminuir as  chicotadas nas suas costas, a humilhação e a dor de sua tortura. O que posso hoje fazer é tomar posição solidária ao lado dos excluídos, humilhados e desgraçados desse mundo, como Ele fez; minha  primeira responsabilidade é aliviar o sofrimento do outro, lutar contra o sofrimento provocado pela injustiça sobre os mais pobres e excluídos.


5 – O que a Palavra me leva  a viver?
O mistério da Cruz me desvela (tira o véu) e revela que toda entrega generosa, que a prepotência esmaga com a morte, não acaba em morte, mas em vida, e em vida que não termina. Posso, então, fazer dois tipos de Via Sacra: uma, fixando-me  em Jesus, porque assim me aproximo da fonte do Evangelho; outra, fixando-me nas brutalidades, violências, sofrimentos do nosso povo para ativar em mim uma generosidade ainda tímida. E, então, é quando começo a compreender o Evangelho.

Com os olhos fixos no Crucificado vou aceitando com maior cordialidade e gratuidade que sou “faíscas da criação”, que me cabe redimir a parcela da criação que me foi encomendada e que a compaixão solidária é tecida com muita humildade, sem prepotência; ao mesmo tempo vou descobrindo que a vida começa a emergir ali onde o mundo só vê fracasso e morte, e que orar a partir de minhas fragilidades me põe no caminho para experimentar o dom da Páscoa.

Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje – João 19, 31-37
              Pe. Adroaldo – reflexão do Evangelho
              Desenho: Osmar Koxne       

Fonte: Pe. Adroaldo
Postado por: admin_radio

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