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Pensar a Criação como um jogo e deixar Deus mais perto de nós

Data de publicação: 26/09/2006

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A "Teologia lúdica" convida a renunciar à imagem de um Deus "soberano artífice", "grande arquiteto" ou "relojoeiro cósmico", ainda presente nas mentalidades, e ceder lugar à figura de um Deus mais próximo do ser humano, presente ao coração do mundo, habitando sua criação, aceitando fazer-se parceiro de suas criaturas...

O ser humano contemporâneo vive em uma busca sôfrega de suas raízes, talvez como conseqüência do fracasso daquilo que poderia estruturar um mundo, da perda das ideologias, das grandes narrativas, do temor em face do futuro cada vez mais incerto. Essa busca das origens que caracteriza nossa situação hoje lança um desafio à teologia. Esta é interpelada por essas indagações contemporâneas, particularmente a teologia da criação, que pretende fornecer "a resposta preparada pelo cristianismo para o problema da origem das coisas..."
 
Falar de criação, de Deus, ou entendê-lo na sua essência sempre foi complexo para o ser humano. Ao contrário do que pensam os racionalistas, a religião sempre teve uma dimensão que transcende a razão. Para Platão, era uma história de poetas, numa cidade política por demais agitada. Hoje em dia, apela para o irracional das experiências extra-sensoriais ou para as armas. O que se pensava ser busca do invisível e do espiritual, tornou-se guerra. Como, porém, pensar a religião sem racionalizá-la?

Não são raros os que tentam propor modelos e novas imagens mais pertinentes, compreensíveis e adequados à nossa visão das coisas, da realidade, mais afeitos à mentalidade contemporânea. Neste livro, François Euvé sugere, com elegância e precisão, uma quebra de paradigma: que ousemos pensar como jogo a criação do mundo, essa relação entre Deus, o ser humano e o cosmo. Ele justifica: O jogo substitui o "projeto estruturado" em reação aos valores de controle, de domínio, de rendimento e de produtividade. Suas diversas manifestações atuais exprimem a reivindicação do ser humano de "exercer sua liberdade", de tornar-se "sujeito de sua própria história de vida".

A idéia não é nova: o jogo está presente no pensamento teológico judeu-cristão no Livro dos Provérbios, que apresenta a Sabedoria Divina jogando na presença de Deus e na terra dos seres humanos.

De novo, sim, esta obra, pela sua originalidade, inaugura um novo tom na teologia. Se quiser ser compreendida no mundo contemporâneo, esta deverá começar por acolher aquilo que anima este mundo, suas expectativas, suas buscas, suas tentativas de resposta, numa discussão livre com o pioneirismo de nossa época e em face de uma mesma adversidade, do culto da eficácia e até de um ar de fanatismo que se apodera das religiões.

Segundo o autor, entre as questões atuais que a teologia da criação deve levar em conta estão a relação com a natureza, com o cosmo, com sua origem e com seu futuro, o lugar do ser humano nessa imensidão cósmica e seu papel no gerenciamento da terra, sua relação com os outros seres vivos, etc.

 Depois de analisar a categoria do jogo, em confronto com a doutrina da criação, passando em revista alguns dos maiores teólogos contemporâneos, a obra elabora o conceito de jogo na teologia bíblica da criação. Associar jogo e criação é acolher as buscas atuais que aspiram a restabelecer com o mundo e com Deus uma relação gratuita, situada menos sob o signo da dominação e da submissão e mais sob a égide do encantamento e do maravilhar-se. Diversamente do cálculo e do espírito de capitalização, do objetivo a alcançar a curto prazo e a menor custo, o jogo esbanja e dissipa; diversamente da seriedade do trabalho austero e do primado exclusivo da ética, o jogo reabilita a festa e o prazer da contemplação estética.

 A teologia lúdica supera a teologia racionalizante. Quem sabe não é esta a teologia pela qual aspiram os muitos jovens? A teologia lúdica é a teologia da juventude. Ela subverte hierarquias e, contra a seriedade por demais pesada, reabilita o prazer a e gratuidade.
 
As novas representações científicas do mundo e a emergência de novas espiritualidades cósmicas obrigam a Teologia a renunciar a toda a imagem de um Deus "soberano artífice", "grande arquiteto" ou "relojoeiro cósmico", ainda presente nas mentalidades, e a ceder lugar à figura de um Deus mais próximo do ser humano, presente no coração do mundo, habitando sua criação, aceitando fazer-se parceiro de suas criaturas.

 
Titulo: Pensar a criação como jogo
Editora: Paulinas
Autor: François Euvé
Coleção: Repensar
Preço: R$ 37,30
Código: 51011-4
Páginas: 328

Paulinas Editora
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Fonte: Paulinas
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