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A magia das bruxas no desenvolvimento da criança

Data de publicação: 27/09/2006

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A escolha da criança não recai sobre o certo ou o errado, mas, sim, sobre a personagem que mais gosta e não gosta.

Muita gente se pergunta: Por que Paulinas, uma editora tão especializada em literatura religiosa, tem tantos livros infantis sobre bruxas? Alguns, mais radicais, ficam arrepiados só de pensar na idéia. A resposta é simples: O conto de fadas apresenta à criança os dilemas, as dificuldades, os obstáculos próprios da vida. Eliminar o mal nas histórias infantis é fingir que o lado escuro não existe, o que incapacitará nosso pequeno leitor, no seu desenvolvimento, a reconhecer a natureza ambígua do homem.

Somos criaturas incompletas e a grande aventura em viver é a busca incessante de encontrar um significado em nossa existência e desfrutarmos a vida em sua plenitude. Uma busca que começa logo na infância, a fase de desenvolvimento mais importante na construção do "eu". Crescer dói e consome muita energia.

Um dos maiores desafios para os pais é ajudar seus filhos a encontrar sentido em suas vidas. O psiquiatra infantil austríaco Bruno Bettelheim, um dos educadores e terapeutas infantis mais respeitados do mundo, vê a literatura como o melhor canal para transmitir informações mais adequadas e promover, na criança, a capacidade de encontrar sentido na vida.

Os contos de fadas apresentam à criança os dilemas, as dificuldades, os obstáculos inevitáveis, próprios da vida, em uma visão de mundo compatível com o nível psicológico e emocional da criança. Ao mesmo tempo, mostram que, com coragem e perseverança, os medos e as opressões podem ser encarados e derrotados.

As tramas são singelas e as personagens, simples e diretas; o mal e o bem têm o mesmo poder e se apresentam nas personagens como gigante, dragão, bruxa, fada, príncipe, princesa. No universo infantil não existe o "meio termo": ou uma pessoa é boa ou é má.

A polarização das personagens - boas ou más - é percebida pela criança, ao passo que a ambivalência não lhe faz sentido, já que sua escolha não recai sobre o certo ou o errado, mas sim sobre a personagem que mais gosta e a que não gosta.  A vitória de "suas altezas" ou de seus "heróis" é o que a atrai, porque a criança quer ser como eles: bem-sucedida nas suas lutas. E também porque sabem que "o mal dá o troco à pessoa que o produziu".
 
Eliminar o mal nas histórias infantis é fingir que o lado escuro não existe, o que incapacitará a criança de reconhecer a natureza ambígua do homem. As crianças sabem que são boas e algumas vezes não (ainda que não queiram). Como, então, poderão lidar com essa situação se o mundo apresentado nega a presença do mal?

Esconder monstros, ogros, bruxas é não permitir que construam suas fantasias para conhecer tais seres e elaborarem formas de controlá-los, além de impedir que aprendam a lidar com seus medos e angústias. Negar a existência da sombra significa negar, também, a existência da luz.

Os contos de fadas sempre apresentam um final feliz. Esse desfecho dá segurança e coragem diante das dificuldades, são estímulos para que a criança não desanime e se torne um ser humano criativo, assim como os heróis, príncipes e princesas que entraram na floresta escura e de lá saíram vitoriosos.

Outro ponto relevante: não se explica conto de fadas. Quando uma história se torna significativa para uma criança (sabemos disso porque elas a lêem ou pedem para lermos repetidas vezes), cabe somente a ela interpretar o significado daquela trama. Ainda porque o mesmo conto lido em diferentes fases do desenvolvimento terá diferentes interpretações.

"O conto de fadas diz à criança que, embora existam bruxas, nunca se esqueça de que também existem boas fadas (...) Os mesmos contos asseguram que o gigante feroz pode ser vencido com esperteza pelo homenzinho inteligente - alguém que parece ser tão impotente quanto a criança se sente." (Bruno Bettelheiem).

Bruxas boas e más
Só para finalizar, há, sim, muitas bruxas boas, muito boas, que se metem a nos dar lições de vida, e outras que cometem grandes e engraçados fiascos por serem tão atrapalhadas na hora de fazer o que manda a lenda. Uma delas, já bem velha, coitada!, cismou que quer se casar e está voando por aí à cata de um marido. Cuidado! Quer saber os detalhes? A professora mineira Elizete Lisboa conhece essa bruxa e conta tudo no livro A bruxa mais velha do mundo, escrito em tinta e em braile, para os que, como Elizete, não conseguem enxergar.

Há outras, malvadézimas!, que surgem na hora mais escura da noite. Uma delas entrou no espelho, com sua capa negra e duas caras - uma, linda; a outra, de sapa velha!!! Vai ter coragem de encarar? Então, abra No escuro - o espelho da bruxa, de Ernani Ssó, e participe de uma aventura eletrizante com o garoto Beto. Você vai ver que, com as armas da imaginação, é possível descobrir a coragem e vencer os seres inventados pelo medo e pela noite.

Há as bruxinhas graciosas, que vivem de fazer o bem. Elisa, a bruxa-menina de O pacote que tava no pote, de Eloí Elisabet Bocheco, recebe da família um pacote, cuidadosamente guardado. O embrulho deve ser desfeito com a ajuda da Andorinha Lica, em véspera de lua cheia. A bruxinha não sabe onde está a andorinha, mas não hesita em pedir ajuda aos reis e rainhas dos bosques - abelha, coruja, pardal, sagüi, borboleta e água.

A cada parada, ela uma descoberta, um desafio, um desejo de superar-se. Eis o grande ensinamento guardado no pacote: entre o princípio e o fim, há sempre um meio. Mundo velho que se renasce a cada dia, a ilustradora Mari Ines captou o tom da história e correu seu lápis "redondo e doce" e ajudou Eloí a reviver a magia das lembranças de meninice. Este livro foi selecionado para o Programa Nacional do Livro Didático -PNLD.

Agora, imagine uma bruxa inconformada com o fato de ter sido trocada por anjinhos, riachos e flores. Decide, então, fazer uma visita à casa de Sylvia Manzano, escritora de livros infantis que, em seu entender, a preteriu. Insiste que as crianças não gostam disso e estão reclamando again. Desta vez, ela, recém-chegada dos States, usa a visita para ficar mais íntima da hóspede: vai ficando, implicando, brigando e se achegando, trocando confidências... Desse jeito, essa bruxa de meia-tigela acaba tornando imperdível o livro Ferdinanda e eu - De novo...


Título: A bruxa mais velha do mundo
Autora: Elizete Lisboa
Ilustrador: José Carlos Aragão
Preço: R$ 18,80
Páginas: 32
Código: 50790-3

Título: No escuro - o espelho da bruxa
Autor: Ernani Ssó
Ilustrador: Jótah
Páginas: 24
Preço: R$ 10,90
Código: 51018-1


Título: O pacote que tava no pote
Coleção: Esconde-esconde
Autor: Eloí Elisabet Bocheco
Ilustradora: Mari Ines Piekas
Páginas: 16
Preço: R$ 13,00
Código: 50415-7

Título: Ferdinanda e eu - de novo
Autora: Sylvia Manzano
Ilustrações: Edu
Editora: Paulinas
Coleção: Fadas e Fábulas
Páginas: 24
Preço: R$ 19,50
Código: 50922-1

Sala de Imprensa
Paulinas Editora
Malu Delmira, Ir. Sofia, fsp e J. Fátima Gonçalves
www.paulinas.org.br/sala_imprensa
imprensa@paulinas.com.br 



Fonte: Paulinas
Postado por: Administrador

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