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Ano Internacional das Línguas Indígenas

Data de publicação: 12/04/2019

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Em 2019, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) comemora o Ano Internacional das Línguas Indígenas. Mas o que nós, brasileiros, temos a ver com isso? Muito! São tantas palavras, expressões, denominações, adjetivos, interjeições de origem indígena que não é exagero dizer que falamos, no Brasil, uma língua baseada no português e nas línguas indígenas. Lembrando que a Unesco considera “línguas indígenas” as matrizes linguísticas tribais, que incluem também os dialetos dos povos ameríndios e africanos. Então, o português falado pelos brasileiros foi construído com a influência das línguas dos indígenas que aqui viviam antes dos portugueses e dos africanos, que para cá foram trazidos.
Não nos damos conta de que nosso cotidiano é permeado de referências indígenas. Preste atenção nesta frase: “Ao desembarcar na estação Anhangabaú do Metrô, para comprar milho de pipoca, encontrei meu amigo carioca que acaba de se recuperar de uma catapora tardia. Fomos comer tapioca e, depois, fomos comprar muamba na lojinha da rua Pernambuco”. Quantas palavras de origem indígena há nela? Vejamos:
- Anhangabaú: em tupi, significa “água venenosa”, devido ao rio que passa sob o vale.
- Pipoca: do tupi pï'poka, “estalando a pele”.
- Carioca: do tupi kari’oka, que significava “casa (oka) do homem branco (kari)”.
- Catapora: do tupi tata’pora, palavra formada de ta’ta, “fogo”, + ‘pora, “que brota”.
- Tapioca: vem do tupi tïpï’og, sedimento da mandioca crua coalhada.
- Muamba: do quimbundo (língua africana) muhamba, que era um cesto comprido usado para transportar carga em viagens.
- Pernambuco: do tupi para’nã, que quer dizer “rio grande” ou “mar”, e buka, “buraco”. Assim, Pernambuco seria um “buraco no mar”.

A influência das línguas indígenas no Brasil é tão forte que não é exagero dizer que, na época de sua fundação, a cidade de São Paulo tinha no tupi sua língua fluente. Tanto é que o padre jesuíta José de Anchieta, um dos fundadores da cidade, traduziu os textos religiosos para o tupi e chegou a rezar missas nessa língua, que era usada entre a população “paulistana” da época (lembrando que a cidade era ainda vila ao redor do colégio de São Paulo de Piratininga).
Saber mais sobre a cultura indígena é entender melhor nossa própria história. A Paulinas sempre foi referência na publicação de obras que vão desde histórias lúdicas para o público infantojuvenil até relatos de ações de luta e preservação da cultura dos povos da floresta.
Acesse nossa sala sobre o assunto e confira: https://www.paulinas.org.br/loja/?system=loja_paginas&lopa_id=529


Fonte: Sala de imprensa
Postado por: Sala de Imprensa



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