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A comunicação na CF 2017

Data de publicação: 30/06/2017

Comunicação social em favor da casa comum

Ir. Helena Corazza, fsp

Ao lado da denúncia da falta de cuidado com a casa comum, narrativas permeadas por princípios éticos e cidadãos podem despertar esperança e transformação.

É comum as pessoas e também as instituições reduzirem a comunicação ao uso de instrumentos e, agora, das mídias sociais, que potencializam a palavra, as narrativas, as opiniões. Se pensarmos no sentido da palavra comunicação, observamos que é partilha, relacionamento, colocar em comum. O sentido antropológico, portanto, embasa todo ato comunicativo, um processo relacional de forma integral.
Nessa ótica, comunicação é relação consigo mesmo, com o ser humano, com o transcendente, com todo o criado, as criaturas, os biomas que o texto da Campanha da Fraternidade 2017 (CF2017), descreve de forma tão expressiva. E a comunicação, potencializada pelas tecnologias, tem por objetivo não só ampliar, mas interligar pessoas e mobilizá-las em favor de causas. Sabemos que a terminologia “comunicação social” é uma contribuição da Igreja católica que quer reforçar compromisso social e ético de toda comunicação produzida e divulgada nas mídias.
A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelo cuidado da Criação, celebrado em primeiro de setembro de 2016, com o tema “Usemos de misericórdia para com a nossa casa comum”, convida a sermos misericordiosos com nossa casa comum. “A terra clama”, diz o Papa, lembrando que a ecologia integral compreende os seres humanos que estão profundamente ligados entre si e à criação na sua totalidade: “Quando maltratamos a natureza, maltratamos também os seres humanos”, reforça.
O texto base da CF/2017, n. 7, afirma que “O avanço das tecnologias em todos os campos, tende a distanciar as pessoas dos problemas socioambientais que estão ao seu redor”. O grande desafio das tecnologias em todos os campos e também na comunicação é preservar os valores humanos e éticos. O Diretório de Comunicação da Igreja do Brasil, n. 104, coloca como critério ético saber se os avanços tecnológicos estão “contribuindo para um desenvolvimento humano autêntico e ajudando os indivíduos e os povos a corresponder à verdade do seu destino transcendente”.


Narrativas que transformam

Pela observação da realidade circundante quanto ao cuidado de biomas no Brasil, constatamos que os avanços tecnológicos não se refletem em contribuição para o desenvolvimento humano e social dos povos. Basta acompanhar as catástrofes ambientais recentes como em Mariana (MG). Ao lado da denúncia, temos narrativas que precisam ser compartilhadas. Já faz parte das práticas das mídias católicas unirem-se e produzirem narrativas de esperança que buscam o ser humano afetado por tragédias decorrentes da exploração da natureza.
Uma equipe de comunicadores das mídias católicas, TVs, Rádios, Impressos, Mídias Sociais, num projeto articulado pela Signis Brasil (Associação Católica de Comunicação), visitaram Bento Rodrigues, um ano depois, registraram a situação ambiental, a das pessoas-comunidade que ali viviam, bem como entrevistaram autoridades. A produção multimídia foi exibida em 230 emissoras de Rádio, 11 periódicos impressos e oito TVs católicas, além das mídias sociais, na semana de 1 a 5 de novembro de 2016, também disponível no site www.signisbrasil.org.br.  E, no espírito de quem se sente sujeito, mediador cultural comprometido com as mudanças sociais, os produtores colocaram as mídias à disposição para dar voz às pessoas e questionar o “progresso tecnológico” e a as concessões feitas pelo poder público, como lembra a CF2017, n. 53, “A disputa pelas riquezas faz com que a legislação flutue conforme os interesses das corporações que atuam na região”.
Acreditando numa comunicação convergente nas linguagens da mídia, esta mesma experiência foi realizada no I Encontro da Igreja na Amazônia; em abril de 2016, “Vida nos Trilhos”, denunciando realidades, mas, sobretudo abrindo os microfones para evidenciar, de forma alternativa, os valores do Evangelho e ações pela causa do Reino de Deus.
Esta forma de ser e atuar na comunicação traz a competência aliada ao compromisso com os valores da cidadania, realizada por pessoas que acreditam que o ser humano é sujeito de um processo em sua interação e convivência na sociedade, com as tecnologias e ambiente comunicativo na casa comum.

Fonte: SEPAC
Postado por: Administrador

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